domingo, 10 de junho de 2012

Projeto "Livros que marcaram Niterói" ("Você já teve um amor atravessado?" de Fernando de Aviz)


Convicto do brocardo lobatiano segundo o qual “um país se faz com homens e livros”, tentei elencar, de memória, aqueles títulos que eu acreditava representar bem a cultura literária de Niterói. Consultando várias pessoas ligadas ao meio acadêmico de minha cidade, foi curioso o fato de minha lista coincidir com os títulos apontados por aqueles conhecedores de livros. Diante desta coincidência (ou deveria dizer “feliz serendipidade”), animei-me, sem maiores pretensões, a apresentar quinzenalmente alguns dos livros que teriam, de algum modo, marcado a cena literária niteroiense. Livros que trouxeram contribuições substanciais em alguma área, inovações, resgates, celebrações de datas festivas da cidade e que, até, ficaram conhecidos pelas polêmicas que causaram. Em todos esses casos, o valor literário ou histórico foi o que deu o critério para essas escolhas que – longe de serem completas – serão singelos afagos na cultura de nossa cidade.
Em cada quinzena, o leitor de Literatura-Vivência poderá conhecer, no Projeto “Livros que marcaram Niterói”, um pouco mais das nossas letras.
 
 
 
Você já teve um amor atravessado?, de Fernando de Aviz
 
 
Capa da segunda edição de Você já teve um amor atravessado? de Roberto Santos
 
 
Em dezembro do ano de 1982, Niterói presenciou a publicação de um livro de crônicas intitulado: “Você já teve um amor atravessado?”. Seu autor, por sua natureza binada (poeta e cronista, por um lado; educador e biólogo, por outro), assinava com o heterônomo de Fernando de Aviz. (Nem precisa dizer que não é casual a escolha de Roberto Santos Almeida pela alcunha de Fernando. Sim, Fernando é homenagem a Fernando Pessoa, célebre vate português; de Aviz é declaração afetiva a sua descendência lusitana e ligação ancestral com a província de mesmo nome. Fernando de Aviz é, assim, o alter ego de nosso brasileiríssimo Roberto Santos que, além de ser autor do referido livro, preside, atualmente, a veneranda Academia Brasileira de Literatura – ABDL).
“Você já teve um amor atravessado?” foi editado pela Livraria Panorama em co-edição com Letras Fluminenses (a mesma casa editorial que expedia o jornal literário homônimo de Luiz Magalhães) e é reunião de textos originalmente publicados em veículos que, na década de 1970, circulavam difundindo a boa literatura: é o caso da Revista Única e do fanzine Persona.
Qual seria a importância deste livro a ponto de figurar neste projeto que busca resgatar os livros que marcaram Niterói? Ora, em primeiro lugar, uma resposta como esta não poderia ser dada fora da atmosfera da data de hoje (um dia dos namorados) e, depois, não poderia ignorar os subsídios que o próprio livro fornece sobre sua importância. Vejamos, por exemplo, o que mestre Ângelo Longo diz em uma das orelhas: “Cronista, ele (Roberto/Fernando) colige o tempo na permanência do livro que ora se estampa como se pretendesse marcar um caminho, assinalar uma passagem, significar um pouco. Artista, ele transcende o espaço da impermanência das coisas como se pretendesse um pouso no signo, um significado na marca, um caminho-passagem.” Também Ronaldo de Carvalho Miguel, Vital dos Santos e Pedro Jorge Salvador (este último recorrendo a um arsenal conceitual que vai de Hume a Barthes, passando por Kierkegaard e Weber) emitem pareceres sobre o livro. Contudo, é Elzita Nely B. do Vale, em poucas palavras, que resume a importância do livro nas experiências estéticas que ele evoca/provoca: “As imagens inigualáveis de quem sabe dizer o que sente, dispensam qualquer outro comentário”.
“Você já teve um amor atravessado?”, em sua época, foi lançado no circuito  literário niteroiense e despertou o interesse da comunidade letrada. Sua forma poética em prosa com linguagem simultaneamente culta e desafetada é, em parte, responsável pelo seu êxito. Outros fatores responsáveis pela boa acolhida do livro?... Talvez o carisma de seu autor, que ficou conhecido na década de 1980 como “o poeta do amor”. No mais, sigamos o conselho de Elzita do Vale, poupemos comentários e nos presenteemos com a leitura do Fernando de Aviz neste dia dos namorados:




(AVIZ, Fernando de. Quem namora, não mora... In: Você já teve um amor atravessado?. Niterói: Panorama/Letras Fluminenses, 1982. p. 28-29)




 

22 comentários:

  1. Heheheh. Esta música ficou meio datada; hoje, é até meio cafona, mas quem viveu a década de 70 sabe bem o que ela significava.
    Lembro-me de uma festa que fui na faculdade de medicina da UFF em 1972 que só deu ela.

    A pegação foi geral Heheheheh!

    Je t'aime... Je t'aime...

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    1. Maria de Lourdes Pascal12 de junho de 2012 09:43

      Cafona nada! A garotada se amarra no som do Serge Gainsbourg. Ele é o que se chama de "cool". A música já virou um clássico!

      Gostei do texto do Fernando de Aviz, procurarei o clivro para ler.

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  2. José Carlos Moraes12 de junho de 2012 04:03

    Fazíamos parte de uma geração sensualista pra caramba.

    Lembro deste livro. Eu ainda tenho o meu autografado pelo Roberto Santos. A sessão de autógrafos foi na Pasárgada, ali em Icaraí.

    Lá se vão 30 anos...

    Foi um grande prazer relembrar dessas coisas boas pela via do rexto do Fernando de Aviz.

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  3. Muito oportuno, o "poeta do amor" num dias dos namorados.

    O livro me pareceu interessante, tentarei encontrar mesmo sabendo que é uma raridade.

    Parabéns aos dois Robertos.

    Matilde Sobral

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  4. Maneiro o texto do Roberto Santos, vou ler para mina mina hoje.

    A música do clipe é que é meio "mela-cueca"

    Fui

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  5. Belo texto do Fernando de Aviz, o "nosso" Roberto. Texto pleno de sabedoria e doçura. Nada mais próprio para hoje. E determinados comentários me fazem ver o tempo... Ontem (muito ontem), nossos avós e bisavós ficavam loucos quando a ponta de uma saia voava e descortinava um pedacinho da perna da moça (Ah, Baudelaire...). Hoje as moças nos mostram tudo, e saia é só um detalhe. Ontem (faz pouco), a proibidíssima e discutidíssima Je t'aime moi non plus embalava nossos sonhos e malícias. Hoje, não passa de banal "mela cueca". O tempo passa...
    Carlos Rosa Moreira.

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  6. José Eustáquio Cardoso12 de junho de 2012 14:03

    Como inveterado e incorrigível e desde sempre e para sempre esperançoso e sonhador amante, posso garantir não o ser quem não atua, sente e espera como assevera a bela crônica.

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  7. Bom dia, nobilíssimo Roberto.

    Hoje a noite será maravilhosa!
    Veremos estrelas no céu
    Faremos versos românticos
    Falaremos só de amor e paz.

    Feliz dia dos namorados!para todos.

    Alberto Slomp e Yara.

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  8. Oi Kahlmeyer,

    Vi vc hj naquele programa da EdUFF "Unitevê". Gostei!!

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  9. Roberto

    E agora ? quem vai me emprestar o livro? Aguçou meu fanatismo literário...
    Belvedere

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  10. Kahlmeyer, você ainda não tem a dimensão da importância que este seu trabalho possui.

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  11. Roberto K.M.
    Transmito ao Roberto Santos um abração pelo texto
    escrito no século passado, quando os namorados
    dançavam com seus rostos coladinhos.Era bem melhor,
    com certeza.
    Luiz Calheiros.

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  12. Caro Roberto,
    A referência ao seu livro reportou-me aos velhos tempos da Pasárgada (não a do Bandeira, mas a do Aníbal Bragança). "Você já teve um amor atravessado?" tem lugar de honra em minha estante. Quanto ao autor, faz parte do rol de minhas amizades mais diletas.
    Grande abraço,
    Wanderlino

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  13. Querido Roberto Santos, pode me mandar, urgente, um exemplar do livro? Pombo correio, cegonha, moto boy, até ex mulher serve.
    1 beijão, Márcia.

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  14. Bom dia, dinâmico Roberto.

    Agradeço por suas importantes postagens e retribuo com "pérolas".

    Atenciosamente,
    Alberto Slomp.

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  15. Encantei-me sempre com as crônicas do Roberto Santos, sobretudo quando celebra o Amor e os mistérios de Pessoa.

    De há muito, no jornal LIG, coluna da querida Lou, eu o intitulei de "O Artur da Távola de Niterói".

    Fiel escudeiro de Eros, Fernando de Aviz - igual ao mestre-cavaleiro da Távola - arredonda metáforas, cavalga semânticas à Demanda do Graal do Amor.

    Oportuníssima, pois, Kahlmeyer, a "relembrança" deste livro que honra também a távola da intelectualidade local.

    Dalma

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  16. Ahhhh... Tão bom!...

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  17. Sempre busquei um espaço para dizer: para se entender, verdadeiramente, algum conceito, procurar um viés interpretativo para entender a vida das palavras? Poucas pessoas me satisfariam... com absoluta certeza o Roberto Santos, a Deila Peres...

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  18. Não conheço o Roberto de Aviz,

    Mas gostei da ideia do projeto!

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  19. Lindo texto, Fernando de Aviz, ou Prof. Roberto Santos, um prazer enorme conhecê-lo pessoalmente e ao seu inegável talento, grande abraço!

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  20. Parabés, Roberto, pelo texto:Quem namora não mora...

    O meu presente é minha canção preferida:"Emoções" de R.C.
    Quando eu estou aqui
    Eu vivo esse momento lindo
    Olhando pra você
    E as mesmas emoções
    Sentindo...

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