sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sávio Soares de Sousa e Jorge Loretti: Fortunas críticas sobre os livro "Discursos e alocuções acadêmicas"



No próximo dia 16 de junho, durante a sexta edição do Giro Cultural (evento promovido pela Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, com apoio do Grupo Mônaco de Cultura), o acadêmico R. S. Kahlmeyer-Mertens lançará seu Discursos e alocuções acadêmicas (Nitpress). Seleta de diversos textos de oratória. Com prefácio de Jorge Loretti e orelhas de Sávio Soares de Sousa o livro será lançado no Calçadão da Cultura/Livraria Ideal, que fica à Rua Visconde de Itaboraí, n.◦ 222, centro, Niterói. O evento começa às 10 h. e tem entrada franca.        



A oratória acadêmica, ― mais explicadamente, a usual nas nossas academias de letras, tanto a nacional como as estaduais e municipais ―, andou perrengue por prolongados anos, toda a gente o sabe. Seguramente porque arraigada a modelos herdados de outras fases já superadas de nossa cultura. Repetitiva e monótona. Desatualizada, às vezes até ridícula. Agora, prefiro dizer, de algumas décadas para cá, com a democratização das academias, esse tipo de oratória vem dando sinais de consonância com os paradigmas da movimentada era das comunicações. Não têm mais cabimento os discursos quilométricos, de puro exibicionismo, cansativos e monótonos, eficazes apenas no tratamento da insônia. Vivemos a civilização do recado direto, do colóquio produtivo e interessante. Ao que percebo, na vivência acadêmica, a evolução, aí, é perceptível ao primeiro contato com nossos oradores acadêmicos. E posso citar, tranquilamente, para comprovar o dito, o exemplo do mestre Roberto S. Kahlmeyer-Mertens, membro de várias e importantes instituições culturais, em pleno vigor da juventude, autor dos discursos reunidos neste volume. Inteligente e erudito, ensaísta e professor universitário, consciente de suas responsabilidades como intelectual, dotado da rara virtude gabada por São Tomás de Aquino, ― a da estudiosidade, ― Kahlmeyer-Mertens é senhor de um estilo claro, fluente, natural, lúcido, desbastado de barroquismos, fiel ao vernáculo, e transita pelos mais espinhosos temas com o desembaraço e a firmeza de um atleta olímpico. Tudo isso justifica a amizade e a admiração que lhe dedico.

Sávio Soares de Sousa
das Academias Fluminense e Niteroiense de Letras



Grande foi a satisfação ao receber do professor Roberto S. Kahlmeyer-Mertens o gentil convite para prefaciar mais este livro editado pela Nitpress. Obra de um jovem intelectual cujo trabalho nos inspira reconhecimento, admiração e respeito, Discursos e alocuções acadêmicas traz textos que foram proferidos em circunstâncias da vida acadêmico-cultural deste nosso estado do Rio de Janeiro. Confesso que procurei ler esses trabalhos com imparcialidade, entretanto, logo, estas orações me tocaram emocionalmente fazendo com que recordasse os anos de minha militância estudantil. Militância de juventude esta que me rendeu lições úteis para toda a minha história com a magistratura: já naquela época, percebi que brilhavam mais os atores sociais que sabiam se expressar; a fala era, assim, a capacidade de criar simpatias, congregar interesses e legitimar lideranças. Lendo o livro de Kahlmeyer-Mertens, não apenas reconheço o mesmo talento eloquente a que me refiro acima, mas também a habilidade superlativa e inata com a língua culta, a sofisticação e fluidez do estilo oratório e – acima de tudo – o conteúdo de sua prosa repleta de erudição histórica, literária e de alta filosofia. Com Discursos e alocuções acadêmicas, Kahlmeyer-Mertens nos faz crer na feliz reputação de prodígio.
Diante desta matéria, é dever deste prefácio ressaltar as qualidades de alguns dos escritos aqui reunidos:
Na primeira parte da obra, reservada a orações acadêmicas, encontramos o discurso de posse na Academia Brasileira de Literatura – ABDL. É uma fala inspirada por um sentimento de devoção e compromisso. Empossado na cadeira patroneada pelo crítico e historiador literário José Veríssimo, o autor nos oferece um fiel retrato daquele escritor a partir de sua obra crítica. Evidencia-se, assim, o esforço de recepção que Veríssimo, em sua coluna no antigo Jornal do Brasil, empreendia em favor da formação do gosto literário em nosso país ao comentar obras de Comte, Taine, Renan, Eça e Nietzsche. Enfocando, entre estes, principalmente o nome do filósofo alemão, impressiona constatar que Kahlmeyer-Mertens, em seu discurso, não apenas se mostra conhecedor das interpretações que Veríssimo faz de Nietzche, e dos comentários de estudiosos de época como Eugène de Roberty, quanto dos rumos das pesquisas sobre esse pensador na atualidade. Toda a atenção filosófica dada a Veríssimo no presente discurso, entretanto, não é menor do que a consideração dedicada ao anterior ocupante da cadeira 30 na ABDL: o elogio ao desembargador José Eduardo Pizarro Drummond é permeado de diligência e sinceridade. Tenho o prazer de poder afirmar o quanto esta oração contentou a todos que estiveram presentes naquela cerimônia, especialmente os parentes da terceira geração de José Veríssimo, que prestigiaram o evento.
Uma exaltação à convivência nas academias é encontrada no discurso de posse no Cenáculo Fluminense de História e Letras na cadeira 13, patronímica do polígrafo Afrânio Peixoto. O que gostaria de destacar nesta peça não são os dados biográficos daquele membro da Academia Brasileira de LetrasABL, que foi também médico, professor, político e autor da obra literária mais lida no Brasil na época em que foi divulgada. Chamo atenção para o momento simbólico no qual nosso orador declara toda sua estima por sua terra. Ao tomar contato com o texto, por meio da coletânea, o leitor poderá constatar que Kahlmeyer-Mertens consagra uma página plena de encanto e beleza àquilo que poderíamos chamar de sentimento de pertença a nossa terra fluminense.
Kahlmeyer-Mertens empossou-se na Academia Niteroiense de Letras – ANL no período em que eu fui Presidente daquela instituição. Com seu discurso de posse, o acadêmico presenteou a todos com o encantamento oferecido por sua ars retorica. Na solenidade, ocorrida no auditório Amaury Pereira Muniz, foi oportuno lembrar oradores que, eternizados pela força de seus gestos, em outrora fizeram uso da palavra naquele mesmo espaço. Assim, ao evocar os nomes de Norival de Freitas e Jorge Cortás Sader, a cerimônia acabou por celebrar um significativo capítulo da cultura tribuna fluminense. Feito o elogio do patrono, o médico Bernardino Senna Campos, o empossando passou ao louvor dos que o antecederam como ocupantes na respectiva cadeira. Dentre aqueles antecessores, chamo a atenção para Togo de Barros, governador do estado do Rio de Janeiro na década de 1950 e figura com a qual os acadêmicos da ANL tiveram o privilégio de conviver.
Falas de saudação podem ainda ser conferidas na sequência do livro. Entre elas está o discurso de recepção ao acadêmico Luiz Antonio Barros, por ocasião de sua posse na Academia Niteroiense de Letras. Em sua prédica, Kahlmeyer-Mertens alude à tradição retórica vigente nas academias de letras e ressalta a dificuldade de apresentar publicamente um personagem singular recorrendo à filosofia de Sartre e à pedagogia poética de Marziano Capella para legitimar suas premissas. No mesmo texto, evidencia, por um lado, a figura simples e humilde de Luiz Antonio Barros, e ressalta, por outro, o enorme mérito do empossando, ao lembrar que este, além de qualidades próprias, é herdeiro de scholars como Gladstone Chaves de Melo, Leodegário A. de Azevedo Filho e Maximiano de Carvalho de Silva.
Na segunda parte da coletânea, reservada a alocuções várias, encontramos, primeiramente, o pronunciado na Câmara Municipal de Niterói, lido durante a cerimônia de cessão da Medalha José Cândido de Carvalho, na ocasião em que Kahlmeyer-Mertens foi agraciado com a referida comenda. É uma homenagem àquele escritor campista que, entre a literatura romanesca e o jornalismo, tanto honrou o mundo literário com sua rica e admirável produção artística. Membro da Academia Brasileira de Letras e radicado em Niterói, não me lembro de ter lido estilo literário mais original do que o daquele grande literato fluminense. No presente discurso, foi apreciado um pouco da vida e obra daquele profundo conhecedor da alma do povo brasileiro que – como bem diz nosso orador – possui uma prosa espetacularmente brilhante e inimitável. Um traço surpreendente deste trabalho é quando Kahlmeyer-Mertens narra o encontro que teve com José Cândido de Carvalho, autor de “Olha para o céu Frederico” e do já clássico “O coronel e o lobisomem”.
Após ler este discurso, louvamos a feliz iniciativa daquela assembleia legislativa em conceder Medalha a Roberto S. Kahlmeyer-Mertens, professor exímio, cujos méritos intelectuais não apenas legitimam a acertada medida, quanto bonificam seu propositor.
As palavras fraternas de Kahlmeyer-Mertens a Marco Lucchesi são – indubitavelmente – um dos pontos altos do livro. Na ocasião em que o poeta, ensaísta, tradutor e membro da Academia Brasileira de Letras foi homenageado pelas instituições culturais de Niterói, em uma reunião do Cenáculo Fluminense de História e Letras, Kahlmeyer-Mertens foi o escolhido, entre tantos, para fazer a saudação. Quem conhece o homenageado pode avaliar a especial honra da tarefa. Com uma fala poética e repleta da mais elevada erudição literária, nosso autor escreveu, com propriedade e beleza, um discurso que faz jus à estatura do homenageado, um discurso de excelência sem perder a afabilidade, um discurso que dará gosto a todos aqueles que tiverem o privilégio de sua leitura.
Ao fim, temos a saudação a Luís Antônio Pimentel, na data de seu centenário de vida. Divulgado sob o título de Luís Antônio Pimentel: Jubileum, o luminoso discurso foi proferido na sede da Academia Niteroiense de Letras, dando início às comemorações do centenário de seu amigo poeta. Pimentel é uma bela figura humana que fez da arte sua vida, fazendo com que também sua vida ganhasse dimensão artística. No discurso, Kahlmeyer-Mertens – que possui várias obras dedicadas ao poeta – supera expectativas ao evidenciar, servindo-se das poucas palavras do jornalista Augusto Donadel Jorge, o valor dessa existência rica e honesta em face de alguns dos respeitáveis trabalhos intelectuais que o poeta miracemense dedicou a Niterói.
Esta apresentação acabou por se tornar mais longa do que um bom prefácio deve ser. Justifique-se, entretanto, sua extensão pela proporcional necessidade de mostrar – no presente livro – como uma intelectualidade de escol se edifica nos dias de hoje. As atraentes meditações de Kahlmeyer-Mertens, ora reunidas, precisam ser acolhidas com boa vontade, e a inteligência que delas decorre apela imediatamente a uma atitude respeitosa. Afinal, na imagem desse brilhante intelectual, cultor de valores excelentes e estudioso de aspectos superiores do pensamento humano, reside uma digna esperança a ser investida unanimemente: o amor por princípio, a ilustração por caminho e a felicidade como propósito.
Obrigado, Roberto Kahlmeyer-Mertens, por este livro cintilante de saber e beleza.   
Jorge Loretti
Da Academia Niteroiense de Letras





14 comentários:

  1. Parabéns, Roberto, por mais uma publicação! Att.
    P.R.Cecchetti

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  2. Reinaldo José de Almeida15 de junho de 2012 09:01

    CARÍSSIMO ROBERTO.

    SE POSSÍVEL LÁ ESTAREI PARA UM FRATERNAL ABRAÇO.

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  3. Duas gerações reunidas em harmonia, Inaldo Alonso e Kahlmeyer. Parabéns a ambos!

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  4. Desejo sucesso!

    Forte abraço

    Muna Omran

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  5. Se são eles dois que estão dizendo, contestar o quê mais?!!!
    Amém para nosso jovem intelectual!

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  6. Meus parabéns, Kahlmeyer!
    Seu trabalho está sendo reconhecido até pelos grandes!

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  7. Muito sucesso amanhã, Roberto.

    Aposto muito em sua carreira.
    Vejo que a fala de Jorge Loretti é um grande reconhecimento a suas qualidades intelectuais.

    Tão jovem e tão culto!

    Abraços,
    Aninha!

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  8. Muito bom mostrar os verdadeiros intelectuais da cidade. Mais uma vez te parabenizo pela visão tão abrangente. Cada postagem é uma alegria renovada. Como é bom esse contato com as letras!
    Um abraço
    Belvedere

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  9. KAHLMEYER,

    DEPOIS DOS PARECERES DESSES DOIS SÁBIOS,VOCÊ NÃO NECESSITA DO RECONHECIMENTO DE MAIS NINGUÉM DE NITERÓI: É A CONSAGRAÇÃO!!!

    MUITO SUCESSO!

    MARTHINHA

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    1. Querida Martha, agradeço seu entusiasmo, mas não posso desconsiderar o apoio que recebo de muitas outras pessoas do movimento que tornaram a publicação deste livro possível. Sávio e Loretti são apenas dois dos bons amigos que tenho.

      Veja se pode aparecer no lançamento amanhã.

      Abraços do Kahlmeyer

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  10. É agora Niterói acertou!
    Receba o carinho do Eduardo Suzuki

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  11. Caramba Kahlmeyer!

    Que elogio que vc ganhou do Desembargador Jorge Loretti!
    Como ele escreve bem!

    Dei valor!
    Sônia

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  12. Parabéns pelo lançamento deste novo livro, Kahlmeyer.
    Com certeza a literatura de Niterói se enriquece.

    Farei de tudo para comparacer lá amanhã para ler essses belos textos no original do livro.

    Att

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  13. José Pais de Moura16 de junho de 2012 00:03

    Caro Prof. Roberto Kahlmeyer, bom dia!
    Que mais dizer? Sobre seu valor intelectual, cultural, tudo já foi dito, registrado, pelos
    académicos Sávio Soares de Sousa e Jorge Loretti. Parabéns, não só, pelos atuais, futuros sucessos. Por estar acamado não poderei estar prersente, sim, em pensamento.
    Abraço sincero... José Pais de Moura.

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