domingo, 15 de janeiro de 2012

"Pimentel: o Arconte da memória fluminense", por Dalma Nascimento

O que mais dizer de Pimentel depois do texto da professora Dalma?...


Luís Antônio Pimentel ao lado de Carlos Monaco durante a homenagem do Giro Cultural,
promovida pela Imprensa Oficial do Rio de Janeiro e do Grupo Mônaco de Cultura.
(Foto de Alberto Araújo)



                                                                                                                                  Dalma Nascimento

Luís Antônio Pimentel, escritor fluminense, desmente a etimologia da palavra “aposentado”, aquele que “fica no aposento”, recluso do mundo. Nunca se acomodou na cadeira de balanço, de chinelos e pijama, a olhar pela janela, igual à Carolina da música, nem fica vendo a banda passar. Sorrindo à vida no alto de seus noventa anos, está continuamente aberto à beleza do amor, aos signos modernos e jamais abandona a sua máquina fotográfica Nikon, ou o seu pequeno gravador, aliado à eterna inspiração de versejar. E muito bem!
Com seu lúcido olhar de Poeta dos maiores tons em muitos livros de vários temas e estilos publicados, Pimentel integrou-se à paisagem cultural de Niterói. Sempre no fluxo dos acontecimentos memoráveis lá está ele, capturando, com as lentes da sua objetiva, flashes do cotidiano, e relatando episódios verídicos e pitorescos “causos”, a que não faltam a fantasia criadora e o conhecimento linguístico, armazenado em sua longa e frutífera existência.
Jornalista, membro do Instituto Histórico e de várias Academias de Letras, estudioso de provérbios populares e dos topônimos tupis, dos quais fez até um dicionário, ele é também biógrafo de pessoas e lugares em sua coluna semanal de A Tribuna. Niterói. Porém, um dos títulos talvez de que mais ele se orgulhe é o de ser Membro do Calçadão da Cultura do Grupo Mônaco, do Carlos Mônaco da Livraria, além de possuir a carteira nº 1 da Sociedade Fluminense de Fotografia.
Tendo vivido muito tempo no Japão, trabalhou na rádio de Tóquio e publicou, em 1940, o primeiro livro de um poeta brasileiro no idioma nipônico. Com saberes, tão múltiplos e profundos, é verbete da Enciclopédia Delta-Larousse. Colecionador de lembranças, revela, em livros, artigos, fotos e entrevistas até na televisão, a memória nacional e do Estado do Rio de Janeiro. Quem quiser saber algo do passado, logo procura o grande mestre Pimentel.
Por ser dono deste dom, Pimentel lembra um Arconte, aquele dignitário da antiga Grécia, respeitado pela comunidade, preservador e intérprete dos documentos e das leis da pólis. Arconte tem a mesma raiz de “arqueologia”, de “arquivo”, de “arcano” e de “arqueiro”. De fato, Luís Antônio Pimentel, o verdadeiro Arconte de Niterói, é o arquivo vivo da cidade.
Na efervescência das coisas, lá está ele na arkhé, ou seja, nos fundamentos dos fatos, para reconstituir os laços esfiapados da memória coletiva. Submerge nos arcanos da tradição e de lá retorna iluminado. E, com a mestria de um arqueiro, o Arconte Pimentel  lança o arco da aliança do passado cultural às gerações futuras.

(Publicado em O Correio, edição “Aposentadoria, em 15 de setembro de 2002, na qual o Poeta-Arconte Luís Antônio Pimentel figurou na capa do jornal, com sua máquina Nikon e seu sorriso, sempre jovem e brejeiro, clicando certamente uma cena cultural de Niterói.)



 
Divulgação Cultural
(Clique na imagem para ampliar)
 
Abaixo existe um texto que pode copiar e colar
em sua própria mensagem de email,
para ajudar a divulgar o abaixo-assinado
«Contra o fechamento da Livraria Camões»:



8 comentários:

  1. Marcio de Oliveira Ramos15 de janeiro de 2012 11:59

    Roberto,
    terminei o livro do Emmanuel Macedo Soares no mesmo dia. Tive algumas boas lembranças de pessoas citadas no livro, que foram amigas do meu pai.
    Parabenize o autor.
    Abraços

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  2. Pimentel e Dalma: um presentão!
    EStarei fora de cena por algum tempo, amigos.
    Mil bjs
    Belvedere

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  3. Adorei, Dalma!
    Roberto, Parabéns!
    Eliana

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  4. Parabéns, Roberto, por mais este excelente trabalho que você divulga. Falando do Pimentel, o texto de Dalma Nascimento é
    realmente primoroso, pois revelador, a um só tempo, tanto da sua inteligência e da sua cultura quanto do escorreição da sua escrita.
    Diante dele, não sei que mais apreciar: se ele próprio, o texto, ou se a admirável figura de Pimentel ali tão brilhantemente retratada. Abraços.
    Sandro.

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  5. Wanderlino Teixeira Leite Netto16 de janeiro de 2012 09:21

    Roberto,
    Quase dez anos são passados e o texto de Dalma Nascimento sobre Pimentel, que tão bem o retrata, continua atual. Ou seja, Pimentel, agora prestes a completar 100 anos, permanece na crista da onda. Que bom! Abç.

    Wanderlino

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    1. De fato, o que mais dizer de Luiz Antonio Pimentel depois do brilhante texto da professora Dalma Nascimento. Com o seu maior requinte, Dalma retratou nas profundezas a personalidade do nosso Arconte Pimentel, o maior exemplo e orgulho de Niterói. Parabéns aos dois mestres Dalma e Pimentel.
      Sergio Caldieri - Niterói

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  6. Enxuto, mas transbordante de afeto, Dalma Nascimento nos brinda com mais um texto que, com justiça e arte, homenageia o bravo Pimentel.
    Aos parceiros do tributo - Roberto e Dalma -, efusivas saudações literárias!

    Flávia Savary

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  7. Parabéns, Dalma! Seu texto é maravilhoso, como tudo que você faz. Sua extraordinária capacidade intelectual é admirável. E a foto está ótima.
    O homenageado, privilegiado até cronologicamente, dispensa comentários, tal sua importância cultural para nossa cidade.
    Assim, todos os niteroienses - de nascimento e de coração, como eu - estão orgulhosos e de parabéns por contar com duas figuras tão brilhantes.
    Grande abraço a ambos.
    Izaura

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