domingo, 12 de junho de 2011

O canto indelével de Branca Eloysa

Assombração
Branca Eloysa


É o mesmo jardim – um tanto encolhido.
É o mesmo coreto – um tanto encardido.
Um ar de esclerose, esquecido
das marionetes, das retretas, de nós,
crianças de outrora.
Sob o luar, sinto medo.
Virou esqueleto, o velho coreto.


(ELOYSA, Branca. Assombração. In: Água escondida – poesia.
Org. Neide Barros Rego. Niterói: CBAG, 1994. p.54)



Biografia:
Branca Eloysa de Campos Góes Pedreira Ferreira nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 8 de junho de 1935. Cursou o clássico e, ao longo do tempo, inúmeros cursos livres, particularmente os ligados à área dos direitos humanos, com destaque para Vazio dos Códigos, Vida dos Direitos – Interpretação Jurídica e Globalização, ministrado pelo Instituto dos Advogados do Brasil. Estudou na Aliança Francesa. Tem artigos publicados em jornais e revistas das cidades fluminenses de Niterói e Rio de Janeiro. A partir de depoimentos gravados em fitas cassete, redigiu o texto do livro resultante do 1º Seminário do Grupo Tortura Nunca Mais, publicado pela editora Vozes em 1987, que aborda a repressão a opositores do regime militar instaurado no Brasil em 1964. Publicou os livros Rua Ana Barbosa, 45 – Meyer (1990), Resgate (1999) e Sem máscara (2005). Tem textos publicados nas antologias Água escondida (1994) e Páginas da infância (2000). Autora de Viajando para o Ontem, texto de encerramento do álbum comemorativo do centenário do Clube de Regatas Icaraí. Em 1993, foi homenageada pela Ordem dos Advogados do Brasil por sua atuação como escritora e ativista de direitos humanos Por seu desempenho na luta pela emancipação da mulher, o Movimento de Mulheres outorgou-lhe o título de Conselheira de Honra. Em 1997, ano em que comemorou quarenta e cinco anos de sua fundação, o Colégio Nossa Senhora da Assunção a incluiu entre os “protagonistas da história e da vida da cidade de Niterói”. Pelos serviços prestados à pessoa idosa, a Universidade Aberta da Terceira Idade (UNIVERTI) concedeu-lhe, em 1999, diploma de honra ao mérito. É detentora das medalhas Jubileu de Ouro da Academia Niteroiense de Letras, Tiradentes (concedida pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) e José Cândido de Carvalho (concedida pela Câmara de Vereadores de Niterói). Também pela Câmara de Vereadores de Niterói, foi agraciada com o título de Cidadã Niteroiense. Seu resumo biográfico consta do livro Mulheres em Niterói, publicado por Graça Porte em 2007. Além de pertencer à ANL, integra os quadros do Elos Clube de Niterói.








11 comentários:

  1. Que surpresa maravilhosa ver Branca Eloysa aqui.
    Grata por tudo de bom que nos proporciona através de seu trabalho, querido Roberto.
    Um abraço
    Belvedere

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  2. Ora, quem sou eu? Não escrevo nada, não me inscrevi em meio de escritores. Minha capacidade criativa é muito tímida. Mas eu não poria nunca o nome dessa poesia nunca de "assombração".
    Sinto um certo romantismo não lamurioso, mas bucólico. O tempo de criança retorna , um saudosismo leva a poeta a expor a pureza daquela época que não volta mais
    assim como o viço do local, de seu jardim e do coreto, que desapareceram com o tempo.
    Estou me arriscando ao lhe dar minha opinião não abalizada. Desculpe-me.
    Nicoleta

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  3. Carlos Rosa Moreira13 de junho de 2011 12:55

    Branca Eloysa... Parabéns, Roberto. Tá bacana, bonito de verdade. Parabéns.

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  4. Branca Eloysa é uma mulher guerreira, uma mulher que defende a justiça e uma escritora sem máscaras.
    Os que tiveram postagens neste blog antes de Branca Eloysa e que terão depois, podem se orgulhar de figurar ao lado desta personalidade humana, bela e visceral!

    Parabéns Roberto por suas afinidades eletivas.
    Excelente blog!

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  5. Branca Eloysa, mulher de fibra e de cultura + Roberto Kahlmeyer, homem de inteligência e erudição = Literatura-Vivência, um blog para gente atenta ao que há de melhor na cultura fluminense.

    Parabéns
    Sandra Pereira

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  6. a música no final da postagem fala de prisão política, não é? Gostei do som!

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  7. ADERALDO FIGUEIREDO14 de junho de 2011 19:26

    Caro Roberto,

    Talvez vc não saiba da importância que seu trabalho tem em nosso meio cultural.
    Este blog e outras coisas que vc vem fazendo dinamiza a cultura de nossa querida Niterói.

    Abraços do
    Aderaldo

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  8. Agradecer é verbo que não consegue definir meus sentimentos na leitura do seu blog. O que você fez comigo foi dizer de
    maneira delicada e sensível que eu existo e minha vida teve alguma utilidade. Carinhosamente
    Branca Eloysa

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  9. A Branca é danada!
    Um Beijão!

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  10. Margareth Neves Desmarais14 de julho de 2011 20:14

    Li o documentário sobre a Branca Eloysa no seu blog. Os depoimentos são graciosos, diante da vida da Eloysa!

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  11. Somente tinha ouvido falar de Branca Eloysa...
    Adorei ver a biografia e os vídeos.
    Seu blog é maravilhoso, perfeito, instigante e gostoso de navegar, fiquei horas fuçando!
    Parabéns e obrigada por compartilhar.
    Uma grande abraço.
    Tatiana

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