quarta-feira, 20 de abril de 2011

Saudação do imortal Marcos Almir Madeira ao “Filósofo da Cor”


O dia 18 de abril está impregnado de cultura brasileira, pois é a data em que se comemora o nascimento do escritor Monteiro Lobato, do poeta modernista Augusto Frederico Schmidt e de Israel Pedrosa.

Pintor, professor e pesquisador, Israel Pedrosa nasceu a 18 de abril de 1926 em Alto Jequitibá/MG. Aluno de Cândido Portinari a partir de 1942. Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Paris entre 1948 e 1950. Foi o mais jovem integrante da FEB, na Itália. No 1° Congresso Mundial – Palais de Chaillot, Paris 1948 – foi eleito vice-presidente da Federação Internacional dos Ex-Combatentes, um dos órgãos não governamentais da UNESCO. Fundador da cadeira de História da Arte na Universidade Federal Fluminense – UFF em 1963. Ministrou cursos e conferências em Universidades e Centros de Pesquisas e de Arte no Brasil, Alemanha, França, Bélgica, Hungria e México. Em 1966, chegou ao domínio do fenômeno que denominou cor inexistente, revelando novos aspectos das relações entre as cores e da essência da harmonia cromática. Em 1973, recebeu o Prêmio Thomas Mann, em virtude do qual viajou para a República Federal da Alemanha como hóspede do governo, realizando palestras e demonstração de seus trabalhos no Instituto de Belas Artes de Munique a convite do Prof. Mayer-Speer, decano da Universidade. É o autor do texto-monográfico “cor”, da Enciclopédia Mirador Internacional (1975). Recebeu o Prêmio Hilton de Pintura da década de 1970. Como reconhecimento por seu trabalho, tem recebido diversas comendas e títulos. Aqui, Israel Pedrosa faz um apanhado geral de sua obra enfatizando seu atual projeto que envolve uma interpretação arrojada do legado de mestres da pintura em face da noção de cor.

Em homenagem ao nosso ilustre aniversariante, as próximas três postagens do Literatura-Vivência contemplarão aspectos de sua vida e obra, a começar pela histórica saudação a Israel Pedrosa proferida pelo imortal da ABL, Marcos Almir Madeira, por ocasião da conferência de abertura do Ano Portinari (2003) da Academia Brasileira de Arte.

A um filósofo da cor, Marcos Almir Madeira

“A designação de nosso presidente Agenôr Rodrigues Vale para que eu lhe dissesse hoje a palavra de saudação, na verdade só fez credenciar-me em nome da Academia Brasileira de Arte um voto de regozijo. É o voto de nossa coerência. Estamos a exprimir a alegria pela presença de um artista genuíno na tribuna. Eu ia lhe dizer, um artista completo, lembrando-me de Portinari quando confessou a Augusto Frederico Schmidt que se considerava completo por ter sabido entrelaçar vocação e formação, o que valia por dizer sensibilidade e técnica. Aluno do próprio Portinari, o Ilustre conferencista dessa tarde soube adicionar ao painel vocacional certos ingredientes de manipulação estética bem pessoais. Há em toda sua obra as tintas de sua personalidade, o gosto e poder da invenção. Tanto isso é verdade que nos deu a teoria personalíssima da cor inexistente, e tornou-se um filósofo dos matizes, das nuanças, dos tons e dos meios-tons. Que fabricam tantas vezes a delícia e a surpresa para os nossos olhos imaginosos ou equivocados. Será a imaginação nas pálpebras? A ilusão nas pupilas? A boa verdade é que a sua condição de filósofo da cor assegura o título de pintor das ideias, de artista da renovação, de renovação no processo da arte. Com prazer esta Academia saúda o mineiro que se deu ao Estado do Rio de Janeiro e bem especialmente a Niterói, cidade natal de Antônio Parreiras, aquele clássico da pintura, com certos toques de um impressionismo inesperado, da Niterói que também foi berço de bons modernos: os Campofiorito.
O aperfeiçoamento de seus estudos em Paris, por volta de 1948, Mestre Israel Pedrosa, foi sem dúvida benéfico a sua brilhante carreira e particularmente à Universidade Federal Fluminense, que lhe deve a criação da Cadeira de História da Arte.
Saudamos, igualmente, sua obra escrita, notadamente os estudos de 1968, quando veio a público o que poderíamos talvez denominar Teoria e prática do mistério da cor.
Bendito o pincel do filósofo. Bendita a filosofia da arte redescoberta.
Bem haja a criatividade – a inteligência aberta à vida, por fidelidade e amor à Santa Madre Natureza. Bendita, mestre, a singularidade do seu exemplo.”




5 comentários:

  1. Renato Augusto Farias de Carvalho20 de abril de 2011 19:23

    " Literatura/Vivência " reveste-se de um instrumental abrangente e cativante na area da cultura. É bom saber que há pessoas interessadas
    e interessantes. FELIZ PÁSCOA para você e sua família.Nosso abraço
    Renato/Eugênio

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  2. Aderaldo Figueiredo21 de abril de 2011 10:00

    Um blog genial, feito por gente genial e tratando de gênios!
    Parabéns Kahlmeyer!

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  3. Carlos Rosa Moreira21 de abril de 2011 22:53

    Roberto,

    Seu blog, dinâmico e inteligente, presta excelente contribuição à cultura. Acrescento ainda o bom gosto na escolha dos assuntos, sempre tratados com conhecimento e muita simpatia. Parabéns e um grande abraço.

    Carlos Rosa Moreira.

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  4. Prezado Roberto.

    Li com o maior interesse seu instigante blog. Faço votos que ele catalise usuários da rede voltados para os amplos horizontes indicados por você.
    A abertura é propiciadora de grandes esperanças.
    Grato pela matéria a meu respeito.

    Abraços do Israel.

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  5. Prezado Roberto
    Que belos são seus trabalhos.
    Fico imaginando quando teremos o prazer do lançamento do livro de entrevistas.
    Um grande e afetuoso abraço, Célia Linhares

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