“Ser anfitrião das belas letras.”
Com esta legenda, o presente Blog pretende abrir espaço para os talentos da literatura (com ênfase na fluminense). Tal sítio é reservado ao fomento e divulgação da boa poesia, da crônica, do conto, da crítica e, também, da vivência em meio às Instituições acadêmico-literárias. Preservar a memória dessa literatura, promover o trabalho de autores cujas obras já se encontram consolidadas e apoiar as promessas que ingressam na senda literária é o nosso papel.
“ – Mas a trova não seria a
poesia menor?...” me pergunta
Sandro Pereira Rebel, com uma expressão de lástima no rosto. Conhecendo,
entretanto, o humor irônico deste trovador, há que se identificar, no fundo de
seus olhos azuis, o quanto Rebel se ri intimamente deste preconceito descabido
e grosseiro. Afinal, sabe nosso poeta campista que muitos dos grandes
escreveram suas trovas: Pessoa, Bandeira, Drummond (até o parnasiano Bilac!);
sabe, ainda, Rebel, o quanto é bonito o movimento trovadoresco por este Brasil
afora; o quanto é edificante e congregador é o trabalho da União Brasileira dos Trovadores – UBT (em suas diversas seções
regionais) e, por fim, sabe o poeta do farol que alguns nomes de gênio e
técnica fazem nas muitas “estradas” trovadorescas de nossa literatura. Para
citar alguns nomes (e só alguns, pois não seria possível elencar a todos):
Arlindo Tadeu Hagen, Edmar Japiassú Maia, Elisabeth Souza Cruz, Izo Goldman,
João Freire Filho, Madalena Ferreira, Maria da Conceição Pires de Melo
(Manita), Maria Nascimento Silva, Rodolfo Abud, Sávio
Soares de Sousa e Sérgio Bernardo (alguns falecidos, outros muito vivos e
atuantes, mas todos faróis).
Apresentamos na postagem de hoje, o livro que Sandro Pereira Rebel (nome
que eu acrescentaria no rol supra) lançará no próximo dia 5 de julho. Com Os dez andamentos da trova, o poeta não
apenas credita em favor desse gênero poético, quanto prova a quem quiser que a
trova só é pequena em formato e na metrificação, esbanjando em qualidade literária,
elegância estética e estilo.
Capa de Os dez andamentos da trova (Nitpress, 2012)
Os dez andamentos da trova
é décimo primeiro livro de Sandro Rebel (o primeiro
exclusivamente de trovas), contendo mais de 300 poesias. As trovas estão
distribuídas em dez blocos temáticos: saudade, amor, tempo, felicidade,
natureza etc. O livro é dedicado, in
memoriam, ao trovador Milton Nunes Loureiro e tem prefácio de Antônio
Soares.
Sandro Pereira Rebel já obteve
mais de uma centena de premiações em concursos organizados, sobretudo, pela
UBT, em dezenas de cidades de numerosos estados do país, como Rio de Janeiro,
São Paulo, Santos, Niterói, Friburgo, Campos dos Goytacazes, Belo Horizonte,
Maringá, Porto Alegre etc.
Terminado neste sábado o evento
literário que ocupou o Teatro Popular de Niterói, e que trouxe em sua
programação grandes nomes das letras e da música brasileira, só se ouve uma pergunta:
“O que você achou do III◦ Salão de Leitura de Niterói?”
A postagem de hoje é aberta ao
registro de comentários, elogios, sugestões, críticas, agradecimentos, trocas
de impressões etc.
Os acadêmicos da ANL Bruno Pessanha e Wanderlino Netto com Heraldo Sousa do IHGBJ
Vista geral do Salão
Luiz Antonio Barros, Gracinda Rosa da Costa e Renato A. Farias de Carvalho, acadêmicos da ANL
Renato Augusto, Gracinda Rosa e Kahlmeyer-Mertens
Nova visão do III Salão de Leitura de Niterói
Externa do Teatro Popular de Niterói
A vista da Baía de Guanabara na manhã de sábado dia 30/06/2012
(céu de brigadeiro!)
Vista da audiência
Graça Porto (da organização do III Salão de Leitura de Niterói), Luís Antônio Pimentel, Glória Blauth (Diretora da Biblioteca Pública de Niterói - BPN)
O Editor da Nitpress Luiz Augusto Erthal com o poeta e acadêmico Sandro Pereira Rebel
Erthal, Neide Barros, Kahlmeyer e Rebel
Mesa redonda na programação da Nitpress: "O legado da cultura fluminense".Da esquerda para a direita: Márcia Pessanha (Presidente da ANL), Waldenir de Bragança (Presidente da AFL), Luis Erthal (Nitpress), e os acadêmicos Luiz Antonio Barros e Roberto Kahlmeyer-Mertens. Kahlmeyer falou da reediçao de "Presença da cultura fluminense", de Horácio Pacheco.
Programação da Academia Niteroiense de Letras, palestra de R. S. Kahlmeyer-Mertens: “A existenciologia como a fundamentação para uma estética holística, segundo
A. Barcellos Sobral”
idem
Interação da plateia após a conferência de Kahlmeyer
Vista da audiência
Roberto Kahlmeyer com a educadora Stella Kisse
Os professores Roberto Kahlmeyer-Mertens e Robert Preis (UFF)
Kahlmeyer e Preis no stand da ANL
Descontração diante do stand da ANL:
Em primeiro plano o casal Liane e Will Martins, ao fundo se identifica Antônio Soares (ASO) e Edel Costa
Acadêmicos da ANL e amigos: Robert Preis, Will Martins, Liane Arêas, Luiz Antonio Barros, Antônio Soares, Edel Costa, Gilson Rolim, Neide Barros Rego
Roberto Kahlmeyer, Robert Preis, Liane Arêas, Luiz Antonio Barros, Aso, Edel, Gilson Rolim e Neide B. Rego, diante do stand da ANL
Vista do pórtico do Salão à noite (Foto de Alberto Araújo)
Convicto do brocardo
lobatiano segundo o qual “um país se faz com homens e livros”, tentei elencar,
de memória, aqueles títulos que eu acreditava representar bem a cultura
literária de Niterói.Consultando várias
pessoas ligadas ao meio acadêmico de minha cidade, foi curioso o fato de minha
lista coincidir com os títulos apontados por aqueles conhecedores de livros.
Diante desta coincidência (ou deveria dizer “feliz serendipidade”), animei-me,
sem maiores pretensões, a apresentar quinzenalmente alguns dos livros que
teriam, de algum modo, marcado a cena literária niteroiense. Livros que
trouxeram contribuições substanciais em alguma área, inovações, resgates,
celebrações de datas festivas da cidade e que, até, ficaram conhecidos pelas
polêmicas que causaram.Em todos esses
casos, o valor literário ou histórico foi o que deu o critério para essas
escolhas que – longe de serem completas – serão singelos afagos na cultura de
nossa cidade.
Com esta postagem, o leitor de Literatura-Vivência poderá conhecer, no
Projeto “Livros que marcaram
Niterói”, um pouco mais das nossas letras.
Contemplação
da unidade, de A. Barcellos Sobral
Capa da primeira edição de Contemplação da Unidade (Heresis, 1997)
No ano de 1997 apareceu Contemplação da unidade – Tentativa de uma holística da existência,
de A. Barcellos Sobral (editora Heresis). Na época, seu autor já era conhecido
como poeta, teórico da literatura e esteta.
Nascido em 1919, no município de Campos dos
Goytacazes/RJ, A. Barcellos Sobral era estatístico de formação e desde muito
cedo se dedicou à poesia. Publicou Poema
–1° Caderno, em 1955, época na
qual esteve atrelado aoClube de
Poesia de Campos. Entre os trabalhos que compõem sua obra poética – programada
para cinco respeitáveis tomos – estão também: No alto como as estrelas (1986) eo primoroso Misael: crônicas
de uma paternidade (1996).
Autógrafo de A. Barcellos Sobral na primeira edição de Contemplação da unidade.
Tendo colaborado com o jornal Letras Fluminenses
durante a década de 1980, o autor viu-se na necessidade de propor categorias
estéticas que viriam contribuir para aquilo que chamou de “poesia integral”. Contemplação da unidade pontifica,
então, como um arrojado ensaio de estética no qual o autor conjuga esta ideia à
luz da filosofia, e das físicas clássica e quântica, tangendo indiretamente a termodinâmica do físico alemão Max
Planck e a transdiciplinaridade (holística)
do franco-brasileiro Pierre Weil. A obra – com sua síntese entre a palavra e a
holística; a poesia e a ciência – reafirmou a reputação do poeta e pensador
desvelando, adicionalmente, sua habilidade de ensaísta.
Aplicado ao exercício do ver, cujo olhar não se
cansa de afiar seu gume, o esforço dispensado por A. Barcellos Sobral nos
lembra o de um Aristóteles, aplicado à tarefa de qualificar e sistematizar
espécimes em seu bestialógico e de cartografar céus e mundos. A lucidez desse
homem traduz-se nos esquemas dos fatos estéticos em geral, matéria de sua
“metafísica do belo”.
Na obra em apreço, essa manobra é antecedida pelo
levantamento filosófico da ordem dos seres, esboçando o que o autor nomeou
“existenciologia” (estudo da existência dos entes). Essa seria pré-requisito
para uma teoria estética inovadora e que fugiria a muitos dos esquemas da razão
judicativa propostos por Kant, no que concerne ao conceito de beleza. Tomando o
belo como o “esplendor da ordem” universal, o autor parte da sinergia de todos os
fenômenos estéticos; recorre à terceira lei da termodinâmica, como base das
suas idéias; propõe uma revisão da classificação tradicional dos gêneros
lírico, épico e dramático, associando o lírico ao belo na porção ideal de
sinergia, numa escala crescente de intensidade responsável por fenômenos
estéticos como o dramático e o épico. Agenciando esses elementos, nosso autor
sopesa o belo pela quantidade de energia que nele estaria contida. Pode, assim,
afirmar que apenas no gênero lírico teríamos uma quantidade ideal de energia,
ao passo que em manifestações dramáticas e épicas da poesia, por exemplo, teríamos
a energia em doses exacerbadas.
Essa intuição original é fundamentada no estudo
abrangente desses fatos estéticos. O trabalho de A. Barcellos Sobral consegue
dar, na mesma proporção, aprofundamento e extensão ao estudo. O texto, escrito
de maneira simplificada não dispensa, contudo, o grau de especificidade técnica
que seu autor cunhou, incluindo aparato terminológico próprio.
Mais que um livro de estética, trata-se de um
ensaio original redigido inteiramente em Niterói e cuja intensidade nos evoca a
estudá-lo, não apenas lê-lo diletantemente. Nessas reflexões de estética (e
mesmo na existenciologia que a precede) há o diálogo com Max Planc, Wolfgang
Kaiser e Pierre Weil, mas estes são apenas pontos de partida às intuições
intelectuais próprias de nosso autor. Percebe-se em Contemplação da unidade que apenas as ideias figuram em seu corpo,
não teve vez a erudição; assim, as referências e citações deram espaço um
pensamento original decorrente daquelas temáticas essenciais. Quanto a isso,
bem disse Antônio Carlos Villaça no primeiro aparato crítico do livro
(prefácio): “Não conheço ninguém mais
profundo, mais abissal e mais exigente do que nosso Barcellos Sobral. Ele é um
bicho da seda. Tira tudo de si mesmo. Não tira nada dos outros”.
Capa da primeira edição de Contemplação da unidade (Nitpress, 2009)
No ano de 2009, no topo de seus lúcidos 90 anos de
idade, A. Barcellos Sobral editou pela Nitpress uma segunda colação (revisada e
ampliada) do livro, trazendo aprimoramentos significativos se a compararmos com
a edição princeps. Atento a novas
nuanças de sua investigação, acresceu quatro novos quadros de estética no corpo
do tratado. A chancela de excelência sempre notória no trabalho do autor uma
vez mais pôde ser conferida pelos interessados nos estudos de filosofia, arte e
literatura. Naquela data, por ter acompanhado de perto o processo de revisão e
assinando o segundo aparato crítico da obra (pósfácio), tive a oportunidade de
proferir as seguintes palavras de reconhecimento: “Eis o trabalho da vida de um homem, um livro que nos ensina que a
contemplação não é apenas exploração ou crítica, mas um amor sem paixão, capaz
de perceber as coisas simples, serenamente. Ensaio de contribuição inegável aos
fundamentos filosóficos da estética, a obra de nosso pensador é chancelada pela
dedicação incondicional, sendo, essa nova edição – no ano que seu autor celebra
seus noventa anos de idade – brinde à comunidade acadêmica e aos interessados
nos estudos de filosofia, arte e literatura”.
A autenticidade do projeto de A. Barcellos Sobral,
hoje, mais do que nunca, necessita de herdeiros disponíveis a aprender a sua
visada abrangente, criadora e rigorosa, de gente que esteja disposta a estudar
e contemplar a Unidade.
CONVITE:
III◦ Salão da Leitura de Niterói
SALA NOEL ROSA
14h – “A
existenciologia como a fundamentação para uma estética holística, segundo
A. Barcellos Sobral” - Roberto Kahlmeyer-Mertens - Academia Niteroiense
de Letras
Quem seriam os atuais "atores" da
literatura fluminense?
Esta pergunta tem por resposta uma
série de nomes que, entre os nativos das terras do estado do Rio de
Janeiro e os nela radicados, compõem um caldo literário com o tempero bem ao
nosso gosto.
Apresentamos hoje um dos escritores que compõe o
significativo cenário da literatura fluminense.
“Caminante no hay camino, [en la vida] camino se
hace al andar”.No verso de Antonio Machado uma bela verdade. Outras
tantas podem ser encontradas na poesia que vem de Nova Friburgo - RJ. Trata-se
do “gracias a la vida!” do poeta Aécio Alves da Costa, presidente
da Academia Friburguense de Letras.
Vida
Aécio Alves da Costa
Vida que te quero viver.
Quando subia as montanhas no Vale Nevado dos Alpes chilenos
Me dei conta de nosso tamanho diante do universo
Onde pude refletir de modo solitário
Sentindo-me como um ponto minúsculo
Naquele vale imenso, lindo e aterrador.
De onde vi o voo de um condor.
Os seres humanos são criaturas tão pequenas
Tão menores que o universo
Tão insignificantes diante de sua imensidão
Que não devemos nos preocupar tanto com as coisas menos importantes.
Aproveitar a cada momento da vida…
Ampliar a visão do mundo, dar asas à imaginação
Sonhar, viver a vida
Suportar nossas fraquezas
Não nos preocuparmos tanto com as coisas que nos aborrecem.
Aproveitar a vida oferecendo amor, espargindo alegrias
Sorrir e fazer alguém sorrir a cada dia
Escolher ser feliz a cada dia
Reverenciar o nascimento de um ser
Dando-lhe a garantia do bem viver
Entre os homens e sob o olhar do Criador.
Aproveitar o Sol, que aquece a alma e dá vigor ao corpo.
Contemplar o brilho da lua e
Mergulhar na escuridão da noite
Encontrar sempre o lado positivo de tudo que nos rodeia
E ele aparecerá. É só procurar… concordar
E mesmo que tudo pareça tão grande, tudo é tão pequeno.
Convicto do brocardo lobatiano
segundo o qual “um país se faz com homens e livros”, tentei elencar, de memória,
aqueles títulos que eu acreditava representar bem a cultura literária de
Niterói.Consultando várias pessoas
ligadas ao meio acadêmico de minha cidade, foi curioso o fato de minha lista
coincidir com os títulos apontados por aqueles conhecedores de livros. Diante
desta coincidência (ou deveria dizer “feliz serendipidade”), animei-me, sem
maiores pretensões, a apresentar quinzenalmente alguns dos livros que teriam, de
algum modo, marcado a cena literária niteroiense. Livros que trouxeram
contribuições substanciais em alguma área, inovações, resgates, celebrações de
datas festivas da cidade e que, até, ficaram conhecidos pelas polêmicas que
causaram.Em todos esses casos, o valor
literário ou histórico foi o que deu o critério para essas escolhas que – longe
de serem completas – serão singelos afagos na cultura de nossa
cidade.
A contar de hoje, assim, em cada
quinzena, o leitor de Literatura-Vivência poderá conhecer, no
Projeto “Livros que marcaram
Niterói”, um pouco mais das nossas letras.
Em 2010, publicou-se um livro relativamente pequeno ainda não suficientemente divulgado, Viagem literária através do Estado do Rio, (Niterói: Nitpress, 2010, 190 p.), organizado pelo professor Luiz Antonio Barros, professor de língua portuguesa do Colégio Militar do Rio de Janeiro, autor didático, dicionarista meticuloso, estudioso sobretudo de questões etimológicas e semânticas. O livro traz um primoroso prefácio do escritor Roberto Kahlmeyer-Mertens e iluminadoras orelhas de Luiz Augusto Erthal. O autor, com mais esta obra, confirma seus inegáveis dotes de um pesquisador que sabe como encontrar o melhor caminho de reunir seu material pesquisado, no caso, autores nascidos no Estado do Rio de Janeiro.Contudo, reunir não é o suficiente para este pesquisador, porque ele avança no que está realizando, i.e., compõe uma antologia de escritores, inserindo os de maior projeção e outros de menor projeção ou quase desconhecidos, como Max de Vasconcelos (1891-1919), Walter Siqueira, Menezes Wanderley, dos quais nem dados biobibliográficos sequer encontrou o antologista.
Outro escritor, entre outros citados pelo organizador seria o poeta satírico e ator profissional, José Inácio da Costa, pseudônimo de Capacho, que viveu no Rio de Janeiro durante o vice-reino pré-joanino, de quem pouco se sabe e nem mesmo onde e quando faleceu. Disso resulta uma antologia enxuta, agradável, que, na verdade, nada tem das velhas fórmulas de se organizar uma antologia, cuja metodologia consistia apenas em reunir autores, fornecer-lhes dados biobibliográficos e selecionar excertos que melhor atendessem à subjetividade do organizador ou dos organizadores. Naturalmente, esta subjetividade será traço comum a qualquer organizador de antologias. Para alterar esse modelo já gasto, Luiz Antonio opta por uma forma diferente e mais amena de aliviar o leitor, já que a reunião de autores e textos diferentes torna-se por vezes cansativa, quando prolongada no seu tempo de leitura. Para suavizar essa monotonia, o organizador resolveu, de forma original, apresentar seus autores sinalizando os escritores por grupos geográficos específicos, com capítulos ou seções sugestivos e aliciantes, como, por exemplo, o primeiro capítulo intitulado “Por lagos e mar há algum tempo navegados”. Pode-se dizer que a antologia abrange a totalidade das cidades do Estado do Rio de Janeiro. Se há omissões de autores, e, neste gênero de publicação sempre os há, creio que não foi por culpa do antologista. Outra novidade introduzida por Luiz Antonio foi a oportuna e eficaz ideia de, até por associá-la ao próprio título da antologia, fornecer breves informações históricas, etimológicas, econômicas, paisagísticas e culturais sobre a cidade ou região que precedem cada escritor incluído, além de, em alguns casos, resumidas apreciações críticas a respeito de obras significativas dos autores, assim como dados biobibliográficos na medida do possível e do que o autor conseguiu colher das pesquisas por ele empreendidas. Fica-se sabendo o quanto de valores literários permanecem olvidados pelo povo, mesmo por especialistas em literatura brasileira. Obviamente, a quantidade de autores menores é grande, mas se descobre afinal que, entre os esquecidos, há deles de real valor literário, que são dignos de estudos por parte dos estudiosos de literatura. Já por isso vale a pena conhecer esta antologia. Quanto aos textos selecionados, vejo que o organizador teve bom gosto e foi criterioso, ele que é um experiente professor e um assíduo leitor de literatura brasileira. Nestes textos, o leitor atento, o professor de literatura, hão de encontrar material inestimável para a sala de aula. Eu, particularmente, me surpreendi com nomes de autores merecedores de estudos pela qualidades de suas obras e pelo quase anonimato em que se encontram no panorama da literatura brasileira, tanto do passado quanto da atualidade. A antologia de Luiz Antonio tem este mérito, o de suscitar o interesse por esse autores pouco ou quase nada conhecidos por especialista, Acredito que isso é uma realidade de âmbito nacional, de solução quase incontornável. A literatura é também feita de injustiças por parte de historiadores. Seria conveniente ao organizador que mantivesse as partes da antologia uniformes, o que vinha acontecendo sem problema até à citação do escritor Wanderlino Teixeira Leite Netto (p.175). Até aí o organizador vinha inserindo textos correspondentes a cada autor, ficando de fora desta norma, infelizmente, os nove autores que finalizam a antologia. O organizador às páginas 108-109, discorrendo sobre a cidade de Porciúncula e a origem do seu nome, desta vez não inclui, nenhum escritor. Apenas cita um comentário de dois autores sobre a expressão diminutiva “porciúncula”, que, para eles, não vem a ser o nome pelo qual foi designado aquele município. Para eles, Porciúncula foi assim chamada simplesmente por homenagem a Tomás de Porciúncula, o qual fora Presidente (ou Governador) do Estado do Rio de Janeiro. O texto “Armadilha da sardinha coqueiro”, ali selecionado, aliás, bem interessante pelo seu bom nível literário- humorístico apenas se incluiu, penso eu, pela relação geográfica com o município. Neste caso, o organizador foge ao plano geral da natureza do livro. Na questão da inclusão de nomes na antologia de Luiz Antonio, que é um nó górdio de qualquer antologista, e que muitas vezes provoca polêmicas devido às suscetibilidades dos autores não incluídos, teria sido bom que o antologista tivesse incluído o nome da escritora, Roza de Oliveira, trovadora, poetisa, ensaísta, autora de literatura infantil,, admirável declamadora, e professora universitária aposentada,nascida em Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro e residente há muitos anos em Curitiba. Roza continua atuante na atividade literária, mantendo-se em plena forma com suas oficinas de poesia em Curitiba e divulgando seus trabalhos de poetisa e de consagrada trovadora dentro e fora do Paraná. Não culpo o antologista por qualquer omissão involuntária, principalmente porque, o mais das vezes, durante a organização dos dados coletados, ele mesmo não teve notícia de uma autora fluminense que está fora do Rio há anos e nem pudera encontrá-la em obras predecessoras. Creio que, com esta nova obra, Luiz Antonio, conforme o fizera com o seu útil Dicionário de ditados, provérbios, alusões, citações e paródias (Niterói: Nitpress, 2008, 317 p.) estará prestando mais uma grande contribuição aos estudos literários, ao mesmo tempo em que sua Viagem literária através do Estado do Rio vem tornar mais conhecidos dos leitores cariocas, fluminenses e brasileiros em geral, e nos diversos gêneros literários, alguns escritores de destaque mas menos conhecidos que, ao lado de Machado de Assis, Lima Barreto, Euclides da Cunha, Fagundes Varela, Casimiro de Abreu e tantos outros, nascidos no Estado do Rio de Janeiro, aí estão à espera de serem agora mais bem estudados, divulgados e pesquisados. Luiz Antonio cuidou, quer pela capacidade de pesquisador, quer pelas atualizadas referências bibliográficas, antecedidas de siglas que, no corpo do livro, facilitam enormemente o leitor, quer, finalmente, pelo impecável índice onomástico, acrescido da página referente ao autor, de preencher esta lacuna e o fez com competência e dedicação, qualidades que sempre nele apreciei desde quando fui dele colega no Colégio Militar do Rio de Janeiro.
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Niterói
sedia a partir de hoje (22/06) o III◦ Salão da Leitura de Niterói. O evento, que já é o terceiro em importância no
estado, só fica atrás da Bienal do Livro
e da Festa Literária de Paraty – FLIP.
Com espaço reservado para grandes e pequenas editoras, instituições literárias
e autores independentes, o evento ainda oferece uma atraente programação com
nomes da cena cultural do Brasil e da Cidade de Niterói. Oportunidade para aquisição
de cultura e de entretenimento inteligente é o que não faltará. Confira a
programação geral do evento na postagem de hoje:
PROGRAMAÇÃO GERAL
22 / 06 – SEXTA- FEIRA
TEATRO POPULAR DE NITERÓI
18h – Cerimônia de ABERTURA
19h – Luiz
Melodia
23 / 06 – SÁBADO
SALA BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
10h- “Brinquedos Criativos”- com Graça Porto
Público Infantil
11h – Contando e ouvindo histórias – Francisco Gregório e
Benita Prieto /
Mediador - Júlio Diniz
Público Infantil
14h - Relançamento do livro “O amor segundo Luís Antônio
Pimentel”,com
recital de poesias do autor e leitura dramatizada de
trechos da peça “12 dias com Leviana” – Editora Nitpress
18h – Debate- “Gravidez na Adolescência” – Secretaria de
Educação/Secretaria de Saúde
Público Adolescente/Adulto
19h – Palestra e apresentação do livro- “De Olho em Você! –
Na Sua
Imagem, no seu trabalho e na sua qualidade de vida” – Carlos
Alberto de
Almeida
Público Adulto
SALA MÁRIO LAGO
10h às 19h- Dia Municipal de Inclusão Digital – Fundação
Municipal de
Educação de Niterói
(programas e sites relacionados à leitura, exposição de
trabalhos, mesa
alfabeto, Linux educacional, trabalhos do prêmio @
educador)
Público Adolescente/Adulto
TEATRO POPULAR
14h – Performance literária com contação de histórias –
Kiara Terra
Público Infantil
16h – De
Conversa em conversa – Adriana Calcanhoto / Mediadores - Júlio
Diniz e
Paulo da Costa e Silva
Público
Adulto
18h –
Palestra – “ A Literatura no Brasil” - Marco Lucchesi – Membro da
Academia
Brasileira de Letras
PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO
18h – Show - Alfredo Del Penho
26 / 06 – TERÇA- FEIRA
SALA BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
10h- Contando e ouvindo histórias – José Mauro Brant e
Augusto Pessôa /
Mediadora – Lúcia Fidalgo
Público Infantil
14h – Mesa
redonda - “Conversas de Educador”, com Antônio Puhl e Waldeck
Carneiro, seguida
de relançamentos –"Conversas de Educador" e "Palavras de
crianças" – Editora Nitpress
18h -
Debate –“Aspectos históricos do desenvolvimento urbano da cidade de Niterói
e da ocupação dos sertões fluminenses” - Regina Célia da Silva Costa e Clélio
Erthal / Relançamento- “Marechal
Deodoro – a rua do Imperador”
e “Cantagalo – da miragem do ouro
ao esplendor do café” - Editora
Nitpress
Público
Adulto
SALA NOEL ROSA
10h – Lançamento do Livro – PROJETO REDAÇÃO 2011 – Folha
Dirigida
Público Adolescente/Adulto
11h – Mesa redonda – Experiências de Leitura com o Projeto
“Voz /Vez do
Leitor” (3º e 4º ciclos – Regular e EJA - FME)
Público Adolescente/Adulto
12h – Roda de Leitura “A Poesia na Voz do Leitor” (3º e 4º
ciclos –
“O GREI 5 faz arte: Um encontro entre arte, literatura e
tecnologia” –
UMEI Iguatemi Coquinot – Prof.ª Gisele Mendes dos Santos
“Múltiplas linguagens” – UMEI Irio Molinari – Prof.ª
Regina Vicentis
Público Adulto
15h – Conversa com o autor – Danielle Fritzen ( Luna, a
Sonhadora, Luna e
a Cartola Mágica, Luna e uma História Encantada, Meu Herói
da Paz)
Público Infantil
18h- Palestra –“A nova ortografia”- Dionilce Silva de
Faria e relançamento
do "Vocabulário de palavras hifenizadas e
pluralizadas” – Editora Nitpress
Público Adulto
SALA MÁRIO LAGO
14h –Mesa redonda - “Cultura visual e Tecnologia. Agonia
do livro ou Transformação da Literatura? “ Profs. da Rede Municipal de
Niterói: Cristiane Gonçalves, Daniele Santana, Diego Vargas e
Marcela Medina Público Adulto
19h – Sessão de comunicações integradas (Ensino
Fundamental / EJA)
“Memórias inventadas, memórias reencontradas” – E. M.
Alberto Francisco Torres – Jacqueline Mary Monteiro Pereira “Projeto Tarsila: Cores e formas, palavras e histórias...”
– E. M. Helena Antipoff – Ynajara Ventura e Priscila Nascimento Cortina de sonhos” – Progressão Parcial – Luciene Morais
Bressand
Público Adulto
TEATRO POPULAR
14h – Show “HISTÓRIAS PRA BOI DORMIR” - Laura Telles e
Viviane Neto
Público Infantil
16h – Café
literário – Roberto DaMatta e Affonso Romano de Sant’Anna / Mediador –
Miguel Jost
Público
Adulto
18h- Coral do Centro Educacional de Niterói – Maestro Luiz
Carlos Franco
Peçanha
Público Adolescente/Adulto
19h – Apresentação teatral – “Projeto Rio Antigo” - Centro
Educacional de Niterói Público Adolescente/Adulto
PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO
18h – Show - Mauro Costa Junior
29 / 06 – SEXTA-FEIRA
SALA BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
10h – Contando e ouvindo histórias – Margarida Botelho e
Andrea Taubman / mediador – Adriana Maciel Público Infantil
12h – Sessão de comunicações integradas das Unidades
Municipais de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Niterói “Magia de Ler no cotidiano da Educação Infantil”- UMEI
Irio Molinari – Rozelania Fernanda Rodrigues
“Feira literária na UMEI Iguatemi Coquinot” – Angelina
Beatriz
“Livro amigo” – UMEI Olga Benário Prestes – Isis da Penha
Público Adulto
15h – Palestra Roberto Cecchetti “Haicai, a influência de
Luís Antônio
Pimentel entre outros escritores Niteroienses”- Academia
Niteroiense de
Letras
Público Adulto
18h -
Projeto “Um brinde à poesia” e com leitura dramatizada do poema / Relançamentos:
“Carmim”- Lucília Dowslley e “Ângela e Antônio”- Maria Helena
Latini - Editora Nitpress Público
Adulto
SALA NOEL ROSA
10h- Palestra e Lançamento da Revista FOCUS
EDUCACIONAL –“A
Importância de Compartilhar Boas Práticas Educacionais” –
Cláudia SPITZ
Público Adulto
14h- Palestra e Lançamento –“Trajetória de uma Escritora –“Eva”
Margarida Botelho - Editora Paulinas
Público Infantil
16h - Oficina de contação e criação de histórias: pelo
prazer de aprender
Gianine Maria de Souza Pierro, Glaucia Campos Guimarães,
Helena Amaral
da Fontoura, Maria Cristina Ribas e Tania Marta C Nhary -
Editora
Intertexto
Público Adolescente /Adulto
18h – Palestra e relançamento – “A cura através da sua
mente” - Marcos
Calmon
Público Adulto
SALA MÁRIO LAGO
10h às 17h – Exame oftalmológico- Instituto Brasileiro de
Assistência e
Pesquisa (IBAP)
TEATRO POPULAR
14h – Show “A Árvore que Contava Sonhos” – Ilana
Pogrebinschi Szpilman
Público Infantil
16h – De conversa em conversa – Moraes Moreira e Stella
Caymmi/
Mediadores – Júlio Diniz e Miguel Jost
Público Adulto
19h – Café Concerto- “Uma Notícia está chegando lá do
Interior” – Dília
Gouveia, Eda Lúcia Damásio e Amarildo Silva
Público Adulto
PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO
18h – Show - Dudu Oliveira e Grupo
30/06 – SÁBADO
SALA BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS
10h –
Calçadão da Cultura – Mesa redonda com Membros das Academias
de Niterói
Público
Adulto
11h- Roda
de poesias de Luís Antônio Pimentel - Equipe da Fundação Municipal
de Ensino de Niterói Participação
do Caricaturista “DAN” Público
Adolescente/Adulto
13h – Mesa redonda: “O legado da cultura
fluminense”, com pré-lançamento do livro Presença da cultura fluminense, de
Horácio Pacheco, com organização de Roberto Kahlmeyer-Mertens, e relançamento
do livro Viagem literária através do Estado do Rio, de Luiz Antonio Barros.
Participações de Waldenir Bragança, presidente da Academia Fluminense de
Letras, e Márcia Pessanha, presidente da Academia Niteroiense de Letras.
Editora Nitpress
Público Adulto
14h –Palestra - “História: debate sobre os 50 anos da
Cadeia da Legalidade e as origens do Golpe de 64”- Osvaldo Maneschy, Eduardo
Costa e Aloysio
Castelo de Carvalho/ Relançamento –“ 50 anos desta noite,
Leonel Brizola – a Legalidade e outros pensamentos conclusivos” e “A Rede
da Democracia: O Globo e O Jornal do Brasil na queda do
Governo Goulart” - Editora Nitpress Público Adulto
16h – Coral da Arquidiocese de Niterói
Público Adolescente/Adulto
17h- Lançamento- “A história de um cambucazinho” (temática
ecológica),
com contação de história pela autora, Fabiana Corrêa -
Editora Nitpress
Público Infanto Juvenil
SALA NOEL ROSA
14h – “A
existenciologia como a fundamentação para uma estética holística,
segundo A. Barcellos Sobral” - Roberto Kahlmeyer-Mertens - Academia
Niteroiense de Letras Público
Adulto
18h – Amantes da Música – Maestro Wagner Leão
Público Adolescente/Adulto
SALA MÁRIO LAGO
11h- Palestra – “Hanseníase: esta doença tem cura”- Artur
Custódio
Público Adulto
15h – Palestra- “Literatura Infantil e Identidade Cultural”-
Márcia
Pessanha – Academia Niteroiense de Letras
Público Adulto
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