“Ser anfitrião das belas letras.”
Com esta legenda, o presente Blog pretende abrir espaço para os talentos da literatura (com ênfase na fluminense). Tal sítio é reservado ao fomento e divulgação da boa poesia, da crônica, do conto, da crítica e, também, da vivência em meio às Instituições acadêmico-literárias. Preservar a memória dessa literatura, promover o trabalho de autores cujas obras já se encontram consolidadas e apoiar as promessas que ingressam na senda literária é o nosso papel.
No centro do debate mundial da Rio + 20, conferência das Nações
Unidas sobre a preservação ambiental, o Literatura-Vivência não poderia
se furtar a fazer menção ao tema.
Para ajudar a reflexão sobre esta premissa, oferecemos também o vídeo: A
história das coisas (recomendo que assistam!).
Ao fim, lá está um haicai de Lyad de Almeida (e não seria preciso
mais!), que antes mesmo das questões ecológicas estarem na agenda do mundo, já
ensejava à maneira poética suas preocupações ambientais (por que será que os
poetas vêem mais longe do que todos e, com poucas palavras, dizem tudo?...)
Numa árvore
seca
eu escrevi o teu nome.
A árvore floriu.
Daquele
memorável colóquio entre Otto Lara Resende e Nelson Rodrigues surgiu, do
primeiro, uma constatação: “O homem sofre porque morre!”; do segundo, uma contestação: “Não, Otto, o homem
sofre porque vive”. O sofrer ao qual Nelson alude é afeto típico da vida, o
mesmo que o poeta transforma em versos quando a vida lhe dói (e ela lhe dói...).
O ardor a pelar-lhe a alma, a palavra presa em lábios
retesados, o travo amargoso na boca: o drama da existência num café pingado. É
assim o novo livro de Wanderlino Teixeira Leite Netto, bem diferente de suas
demais obras.
Se
em Retrato sem moldura (1999) e Beijo de língua (2007) encontrávamos uma alegria tépida (quase aquela fominha
eufórica antes do desjejum), em Café pingado (2012) vemos o poeta entregue à contemplação do vórtice
de sua xícara. Fazer poesia assim, não é catar na superfície a nata das
palavras, pois é da intimidade do ânimo que vêm os versos deste novo e
inusitado WTLN. Ali, todos os poemas soam de profundis, é o que se adjudica em “Desconstrução”:
Não são meros desvãos,
mas um enorme vazio.
A causa não foi um sismo.
Entre os dois há um abismo
cavado em solo macio
com as conchas das próprias mãos.
Nesta
poesia, entretanto, mais do que sentimentos pungentes, ferve a certeza de que
estamos diante de algo grande, algo que deixa a anos luz a poesia menor que nos
azia. Este “algo poético” é promovido pelo mesmo fôlego dos grandes poetas (nada
de formas, técnicas ou astúcias, mas o esprit).
Tal
avaliação não é exagerada, afinal, o leitor notará que poesias como
“Indagações” e “Sequelas” foram coadas no mesmo filtro que Manoel Bandeira
passou o seu “Rondó do Capitão”, rogando: “tirai este peso de meu coração...”
Mesmo pedindo para ter o peso da existência aplacado, tanto Bandeira quanto
Wanderlino sabem que não tem “colher”, não se adoçam em demasia, não se baldeiam,
tampouco se requentam as dores da vida, com estas, há que ser ter paciência,
deixá-las chegar (sem assoprar) à temperatura da boca e sorvê-las aos golinhos.
Sim! Nossos poetas sabem que – em se tratando de sua arte – as dores da vida
são tão mais bonitas quanto mais doridas soam.
É
um belo livro, este que Wanderlino Teixeira Leite Netto lançará amanhã:
Conversa sobre o III Salão de Leitura de Niterói a acontecer em breve,
a programação promete (ao centro o livreiro Carlos Mônaco, o anfitrião).
Os primeiros convidados chegam: Carlos Mônaco,
Luís Antônio Pimentel (no alto de seus 100 anos de idade)
e o poeta Wanderley Francisconi Mendes.
A acadêmica Eneida Fortuna de Barros e o marido, representando a
Academia Fluminense de Letras - AFL.
Visão panorâmica do Calçadão na primeira manhã.
Geraldo Caldas, Luiz Calheiros e Wanderley Francisconi; ao fundo, Bruno Pessanha.
(foto: Alberto Araújo)
O livreiro Carlos Mônaco dinamizando o evento.
Os livros lançados no Giro Cultural:
Discursos e alocuções acadêmicas e Lua madura.
Inaldo Alonso e Kahlmeyer-Mertens a velha e a nova guarda da cultura niteroiense.
Inaldo Alonso autografando o exemplar de Almir de Oliveira;
Kahlmeyer-Mertens autografando o livro para Alberto Araújo.
Kahlmeyer-Mertens recebe o afago da poetisa Lena Jesus Ponte
Roberto Kahlmeyer-Mertens cumprimenta Denize Cruz,
escritora de Niterói que retorna ao Calçadão da Cultura depois de dez anos de ausência.
Inaldo em Conversa com Vera Werneck e, em segundo plano,
Kahlmeyer com Maria Helena Latini e Denize Cruz.
Na foto também aparecem Bruno Pessanha e Luís A. Pimentel (ambos de chapéu).
Kahlmeyer-Mertens com as poetisas Maria Helena Latini e Denize Cruz
Roberto Kahlmeyer-Mertens com Vera Werneck
Vista geral do Calçadão da Cultura
Kahlmeyer-Mertens em conversa com escritor Sérgio Caldieri,
Wanderlino Teixeira Leite Netto aguarda Inaldo Alonso terminar seu autógrafo.
Na foto, também se identifica (no canto) Eneida Fortuna.
O historiador e poeta José Inaldo Alonso com a neta Maria Vitória,
e Kahlmeyer-Mertens em ato de autógrafo.
Alonso e Kahlmeyer autografando volumes para Wanderley Francisconi
Maria Helena Latini, Sérgio Caldieri e Dalma Nascimento
(foto: Alberto Araújo)
Wanderlino Teixeira Leite Netto, a Prof.a Dalma Nascimento e Sérgio Caldieri;
Prof. Luiz Antonio Barros (de costas).
Neide Barros Rego, Geral do Caldas e Luiz Calheiros
Foto posada com parte do grupo que esteve presente no Giro Cultural
(Kahlmeyer-Mertens conversa com Marisa Quintanilha).
Foto posada na manhã de autógrafos de José Inaldo Alonso e R. S. Kahlmeyer-Mertens
Da esquerda para direita: Wanderley Francisconi Mendes, Haroldo Zager, Luiz Calheiros (no alto, ao fundo) Maria Helena Latini, Antônio Soares (semi-oculto atrás de Maria Helena), Terezinha Campos, Geraldo Caldas, Franci Darigo, Carlos Mônaco, Eneida Fortuna, Renato A. Farias de Carvalho, Marisa Quintanilha, Luís Pimentel, Lena Jesus Ponte e Luiz Antônio Barros e WAnderlino T. Leite Netto (os dois últimos ao fundo). Foto de Murilo Lima.
No próximo dia 16 de junho, durante a sexta edição do Giro Cultural
(evento promovido pela Imprensa Oficial
do Rio de Janeiro, com apoio do Grupo
Mônaco de Cultura), o acadêmico R. S. Kahlmeyer-Mertens lançará seu Discursos e alocuções acadêmicas (Nitpress). Seleta de diversos textos de
oratória. Com prefácio de Jorge Loretti e orelhas de Sávio Soares de Sousa o
livro será lançado no Calçadão da Cultura/Livraria Ideal, que fica à Rua
Visconde de Itaboraí, n.◦ 222, centro, Niterói. O evento começa às 10 h. e tem
entrada franca.
A oratória acadêmica, ― mais explicadamente, a usual nas nossas
academias de letras, tanto a nacional como as estaduais e municipais ―, andou
perrengue por prolongados anos, toda a gente o sabe. Seguramente porque
arraigada a modelos herdados de outras fases já superadas de nossa cultura.
Repetitiva e monótona. Desatualizada, às vezes até ridícula. Agora, prefiro
dizer, de algumas décadas para cá, com a democratização das academias, esse
tipo de oratória vem dando sinais de consonância com os paradigmas da movimentada
era das comunicações. Não têm mais cabimento os discursos quilométricos, de
puro exibicionismo, cansativos e monótonos, eficazes apenas no tratamento da
insônia. Vivemos a civilização do recado direto, do colóquio produtivo e
interessante. Ao que percebo, na vivência acadêmica, a evolução, aí, é
perceptível ao primeiro contato com nossos oradores acadêmicos. E posso citar,
tranquilamente, para comprovar o dito, o exemplo do mestre Roberto S.
Kahlmeyer-Mertens, membro de várias e importantes instituições culturais, em
pleno vigor da juventude, autor dos discursos reunidos neste volume.
Inteligente e erudito, ensaísta e professor universitário, consciente de suas
responsabilidades como intelectual,
dotado da rara virtude gabada por São Tomás de Aquino, ― a da estudiosidade, ―
Kahlmeyer-Mertens é senhor de um estilo claro, fluente, natural, lúcido,
desbastado de barroquismos, fiel ao vernáculo, e transita pelos mais espinhosos
temas com o desembaraço e a firmeza de um atleta olímpico. Tudo isso justifica
a amizade e a admiração que lhe dedico.
Sávio Soares de Sousa
das Academias Fluminense e
Niteroiense de Letras
Grande foi a
satisfação ao receber do professor Roberto S. Kahlmeyer-Mertens o gentil
convite para prefaciar mais este livro editado pela Nitpress. Obra de um jovem intelectual
cujo trabalho nos inspira reconhecimento, admiração e respeito, Discursos e alocuções acadêmicas traz
textos que foram proferidos em circunstâncias da vida acadêmico-cultural deste
nosso estado do Rio de Janeiro. Confesso que procurei ler esses trabalhos com
imparcialidade, entretanto, logo, estas orações me tocaram emocionalmente
fazendo com que recordasse os anos de minha militância estudantil. Militância
de juventude esta que me rendeu lições úteis para toda a minha história com a
magistratura: já naquela época, percebi que brilhavam mais os atores sociais
que sabiam se expressar; a fala era, assim, a capacidade de criar simpatias,
congregar interesses e legitimar lideranças. Lendo o livro de Kahlmeyer-Mertens,
não apenas reconheço o mesmo talento eloquente a que me refiro acima, mas
também a habilidade superlativa e inata com a língua culta, a sofisticação e
fluidez do estilo oratório e – acima de tudo – o conteúdo de sua prosa repleta
de erudição histórica, literária e de alta filosofia. Com Discursos e alocuções acadêmicas, Kahlmeyer-Mertens nos faz crer na
feliz reputação de prodígio.
Diante desta
matéria, é dever deste prefácio ressaltar as qualidades de alguns dos escritos
aqui reunidos:
Na primeira
parte da obra, reservada a orações acadêmicas, encontramos o discurso de posse na
Academia Brasileira de Literatura – ABDL.
É uma fala inspirada por um sentimento de devoção e compromisso. Empossado na
cadeira patroneada pelo crítico e historiador literário José Veríssimo, o autor
nos oferece um fiel retrato daquele escritor a partir de sua obra crítica.
Evidencia-se, assim, o esforço de recepção que Veríssimo, em sua coluna no
antigo Jornal do Brasil, empreendia
em favor da formação do gosto literário em nosso país ao comentar obras de
Comte, Taine, Renan, Eça e Nietzsche. Enfocando, entre estes, principalmente o
nome do filósofo alemão, impressiona constatar que Kahlmeyer-Mertens, em seu
discurso, não apenas se mostra conhecedor das interpretações que Veríssimo faz
de Nietzche, e dos comentários de estudiosos de época como Eugène de Roberty,
quanto dos rumos das pesquisas sobre esse pensador na atualidade. Toda a
atenção filosófica dada a Veríssimo no presente discurso, entretanto, não é
menor do que a consideração dedicada ao anterior ocupante da cadeira 30 na
ABDL: o elogio ao desembargador José Eduardo Pizarro Drummond é permeado de
diligência e sinceridade. Tenho o prazer de poder afirmar o quanto esta oração contentou
a todos que estiveram presentes naquela cerimônia, especialmente os parentes da
terceira geração de José Veríssimo, que prestigiaram o evento.
Uma exaltação
à convivência nas academias é encontrada no discurso de posse no Cenáculo Fluminense de História e Letras
na cadeira 13, patronímica do polígrafo Afrânio Peixoto. O que gostaria de
destacar nesta peça não são os dados biográficos daquele membro da Academia Brasileira de Letras – ABL, que foi também médico, professor,
político e autor da obra literária mais lida no Brasil na época em que foi
divulgada. Chamo atenção para o momento simbólico no qual nosso orador declara
toda sua estima por sua terra. Ao tomar contato com o texto, por meio da
coletânea, o leitor poderá constatar que Kahlmeyer-Mertens consagra uma página
plena de encanto e beleza àquilo que poderíamos chamar de sentimento de
pertença a nossa terra fluminense.
Kahlmeyer-Mertens
empossou-se na Academia Niteroiense de
Letras – ANL no período em que eu fui Presidente daquela instituição. Com
seu discurso de posse, o acadêmico presenteou a todos com o encantamento
oferecido por sua ars retorica. Na
solenidade, ocorrida no auditório Amaury Pereira Muniz, foi oportuno lembrar oradores
que, eternizados pela força de seus gestos, em outrora fizeram uso da palavra
naquele mesmo espaço. Assim, ao evocar os nomes de Norival de Freitas e Jorge
Cortás Sader, a cerimônia acabou por celebrar um significativo capítulo da
cultura tribuna fluminense. Feito o elogio do patrono, o médico Bernardino
Senna Campos, o empossando passou ao louvor dos que o antecederam como
ocupantes na respectiva cadeira. Dentre aqueles antecessores, chamo a atenção
para Togo de Barros, governador do estado do Rio de Janeiro na década de 1950 e
figura com a qual os acadêmicos da ANL tiveram o privilégio de conviver.
Falas de
saudação podem ainda ser conferidas na sequência do livro. Entre elas está o
discurso de recepção ao acadêmico Luiz Antonio Barros, por ocasião de sua posse
na Academia Niteroiense de Letras. Em
sua prédica, Kahlmeyer-Mertens alude à tradição retórica vigente nas academias
de letras e ressalta a dificuldade de apresentar publicamente um personagem
singular recorrendo à filosofia de Sartre e à pedagogia poética de Marziano
Capella para legitimar suas premissas. No mesmo texto, evidencia, por um lado, a
figura simples e humilde de Luiz Antonio Barros, e ressalta, por outro, o
enorme mérito do empossando, ao lembrar que este, além de qualidades próprias,
é herdeiro de scholars como Gladstone
Chaves de Melo, Leodegário A. de Azevedo Filho e Maximiano de Carvalho de Silva.
Na segunda
parte da coletânea, reservada a alocuções várias, encontramos, primeiramente, o
pronunciado na Câmara Municipal de
Niterói, lido durante a cerimônia de cessão da Medalha José Cândido de
Carvalho, na ocasião em que Kahlmeyer-Mertens foi agraciado com a
referida comenda. É uma homenagem àquele escritor campista que, entre a
literatura romanesca e o jornalismo, tanto honrou o mundo literário com sua rica
e admirável produção artística. Membro da Academia
Brasileira de Letras e radicado em Niterói, não me lembro de ter lido estilo
literário mais original do que o daquele grande literato fluminense. No
presente discurso, foi apreciado um pouco da vida e obra daquele profundo
conhecedor da alma do povo brasileiro que – como bem diz nosso orador – possui
uma prosa espetacularmente brilhante e inimitável. Um traço surpreendente deste
trabalho é quando Kahlmeyer-Mertens narra o encontro que teve com José Cândido
de Carvalho, autor de “Olha para o céu Frederico” e do já clássico “O coronel e
o lobisomem”.
Após ler este
discurso, louvamos a feliz iniciativa daquela assembleia legislativa em conceder Medalha
a Roberto S. Kahlmeyer-Mertens, professor exímio, cujos méritos intelectuais
não apenas legitimam a acertada medida, quanto bonificam seu propositor.
As palavras
fraternas de Kahlmeyer-Mertens a Marco Lucchesi são – indubitavelmente – um dos
pontos altos do livro. Na ocasião em que o poeta, ensaísta, tradutor e membro
da Academia Brasileira de Letras foi
homenageado pelas instituições culturais de Niterói, em uma reunião do Cenáculo Fluminense de História e Letras,
Kahlmeyer-Mertens foi o escolhido, entre tantos, para fazer a saudação. Quem
conhece o homenageado pode avaliar a especial honra da tarefa. Com uma fala poética
e repleta da mais elevada erudição literária, nosso autor escreveu, com
propriedade e beleza, um discurso que faz jus à estatura do homenageado, um
discurso de excelência sem perder a afabilidade, um discurso que dará gosto a todos
aqueles que tiverem o privilégio de sua leitura.
Ao fim, temos
a saudação a Luís Antônio Pimentel, na data de seu centenário de vida.
Divulgado sob o título de Luís Antônio
Pimentel: Jubileum, o luminoso discurso foi proferido na sede da Academia Niteroiense de Letras, dando
início às comemorações do centenário de seu amigo poeta. Pimentel é uma bela
figura humana que fez da arte sua vida, fazendo com que também sua vida
ganhasse dimensão artística. No discurso, Kahlmeyer-Mertens – que possui várias
obras dedicadas ao poeta – supera expectativas ao evidenciar, servindo-se das
poucas palavras do jornalista Augusto Donadel Jorge, o valor dessa existência rica
e honesta em face de alguns dos respeitáveis trabalhos intelectuais que o poeta
miracemense dedicou a Niterói.
Esta apresentação
acabou por se tornar mais longa do que um bom prefácio deve ser. Justifique-se,
entretanto, sua extensão pela proporcional necessidade de mostrar – no presente
livro – como uma intelectualidade de escol se edifica nos dias de hoje. As atraentes
meditações de Kahlmeyer-Mertens, ora reunidas, precisam ser acolhidas com boa
vontade, e a inteligência que delas decorre apela imediatamente a uma atitude
respeitosa. Afinal, na imagem desse brilhante intelectual, cultor de valores
excelentes e estudioso de aspectos superiores do pensamento humano, reside uma
digna esperança a ser investida unanimemente: o amor por princípio, a
ilustração por caminho e a felicidade como propósito.
Obrigado, Roberto
Kahlmeyer-Mertens, por este livro cintilante de saber e beleza.
O
primeiro evento começa às 10 horas, o segundo, às 11 horas e, o terceiro, ao
meio-dia. Basta dar alguns passos para se deslocar de um ponto ao outro e
conferir diferentes atrações sem pagar nada.
Os
membros da Academia Fluminense de Letras,
Roberto S. Kahlmeyer-Mertens e José Inaldo Alonso abrem as atividades
autografando seus novos livros Discursos
e alocuções acadêmicas e Lua Madura, às 10 horas, na Livraria Ideal, na Rua Visconde de
Itaboraí, 222, loja 3. Fundada em 1935, a livraria é o mais tradicional ponto de
encontro de escritores fluminenses e ficou conhecida por promover o Calçadão Cultural, encontro que reúne
intelectuais todos os sábados, na calçada da livraria.
Além
de tornar a manhã de sábado muito mais agradável, o Giro Cultural estimula a revitalização da região, ao
proporcionar atividades artísticas gratuitas à população.
O
Giro Cultural tem o apoio da
Sala de Cultura Leila Diniz, Consórcio Novo Rio, Prefeitura de Niterói. 12º BPM
(Niterói), Livraria Ideal,
Rioprevidência e do jornal O Fluminense.
Convicto do brocardo
lobatiano segundo o qual “um país se faz com homens e livros”, tentei elencar,
de memória, aqueles títulos que eu acreditava representar bem a cultura
literária de Niterói.Consultando várias
pessoas ligadas ao meio acadêmico de minha cidade, foi curioso o fato de minha
lista coincidir com os títulos apontados por aqueles conhecedores de livros.
Diante desta coincidência (ou deveria dizer “feliz serendipidade”), animei-me,
sem maiores pretensões, a apresentar quinzenalmente alguns dos livros que
teriam, de algum modo, marcado a cena literária niteroiense. Livros que
trouxeram contribuições substanciais em alguma área, inovações, resgates,
celebrações de datas festivas da cidade e que, até, ficaram conhecidos pelas
polêmicas que causaram.Em todos esses
casos, o valor literário ou histórico foi o que deu o critério para essas
escolhas que – longe de serem completas – serão singelos afagos na cultura de
nossa cidade.
Em cada quinzena, o
leitor de Literatura-Vivência poderá
conhecer, no Projeto “Livros que marcaram
Niterói”, um pouco mais das nossas letras.
Você já teve um amor atravessado?, de Fernando de Aviz
Em
dezembro do ano de 1982, Niterói presenciou a publicação de um livro de
crônicas intitulado: “Você já teve um
amor atravessado?”. Seu autor, por sua natureza binada (poeta e cronista,
por um lado; educador e biólogo, por outro), assinava com o heterônomo de Fernando
de Aviz. (Nem precisa dizer que não é casual a escolha de Roberto Santos
Almeida pela alcunha de Fernando. Sim, Fernando
é homenagem a Fernando Pessoa, célebre vate português; de Aviz é declaração afetiva a sua descendência lusitana e
ligação ancestral com a província de mesmo nome. Fernando de Aviz é, assim, o alter ego de nosso brasileiríssimo
Roberto Santos que, além de ser autor do referido livro, preside, atualmente, a
veneranda Academia Brasileira de
Literatura – ABDL).
“Você já teve um amor atravessado?” foi editado pela Livraria Panorama em co-edição com Letras Fluminenses (a mesma casa editorial que expedia o jornal
literário homônimo de Luiz Magalhães) e é reunião de textos originalmente
publicados em veículos que, na década de 1970, circulavam difundindo a boa
literatura: é o caso da Revista Única
e do fanzine Persona.
Qual seria a importância deste livro
a ponto de figurar neste projeto que busca resgatar os livros que marcaram
Niterói? Ora, em primeiro lugar,
uma resposta como esta não poderia ser dada fora da atmosfera da data de hoje (um
dia dos namorados) e, depois, não poderia ignorar os subsídios que o próprio
livro fornece sobre sua importância. Vejamos, por exemplo, o que mestre Ângelo Longo
diz em uma das orelhas: “Cronista, ele (Roberto/Fernando) colige o tempo na permanência do livro que
ora se estampa como se pretendesse marcar um caminho, assinalar uma passagem,
significar um pouco. Artista, ele transcende o espaço da impermanência das
coisas como se pretendesse um pouso no signo, um significado na marca, um
caminho-passagem.” Também Ronaldo de Carvalho Miguel, Vital dos Santos e Pedro
Jorge Salvador (este último recorrendo a um arsenal conceitual que vai de Hume
a Barthes, passando por Kierkegaard e Weber) emitem pareceres sobre o livro.
Contudo, é Elzita Nely B. do Vale, em poucas palavras, que resume a importância
do livro nas experiências estéticas que ele evoca/provoca: “As imagens
inigualáveis de quem sabe dizer o que sente, dispensam qualquer outro comentário”.
“Você já teve um amor atravessado?”, em sua época, foi lançado no circuito literário niteroiense
e despertou o interesse da comunidade letrada. Sua forma poética em prosa com
linguagem simultaneamente culta e desafetada é, em parte, responsável pelo seu
êxito. Outros fatores responsáveis pela boa acolhida do livro?... Talvez o
carisma de seu autor, que ficou conhecido na década de 1980 como “o poeta do
amor”. No mais, sigamos o conselho de Elzita do Vale, poupemos comentários e
nos presenteemos com a leitura do Fernando de Aviz neste dia dos namorados:
(AVIZ, Fernando de. Quem namora, não mora... In: Você já teve um amor atravessado?. Niterói: Panorama/Letras Fluminenses, 1982. p. 28-29)