Feliz é a instituição que tem a
força de gerar comunidade em torno de si (Schiller chega a atestar que esta é a
maior prova de viço que um empreendimento poderia dar).
No texto de hoje, o jornalista e historiador
Emmanuel Macedo Soares provoca a comunidade da Academia Niteroiense de Letras com um dado histórico: enquanto todos se mobilizam para
comemorar, no ano de 2013, os 70 anos de existência institucional da ANL, Emmanuel argumenta que a Academia já
passou dessa idade faz tempo.
Tal provocação nos faz lembrar a
afirmativa do jornalista e escritor Alan Riding segundo a qual: “A história é explosiva”.
Sim, uma "pró-vocação", um chamado às falas, afinal, qual seria o melhor modo de celebrar uma instituição de cultura e pensamento senão pensando-a? Consideremos aberta a temporada de debates:
Sim, uma "pró-vocação", um chamado às falas, afinal, qual seria o melhor modo de celebrar uma instituição de cultura e pensamento senão pensando-a? Consideremos aberta a temporada de debates:
Fachada da Academia Niteroiense de Letras - ANL
Academia Niteroiense, 70 anos. Será?

Emmanuel de Macedo Soares
Li em algum lugar que a Academia
Niteroiense de Letras já começou a estocar foguetes para comemorar seus 70 anos
em 11 de junho de 2013. Coisa que nunca entendi, e até hoje não houve quem me
explicasse, é esse empenho da Academia em enganar sua idade, quando é fato
sabido e comprovado que ela foi fundada em 1931 e instalada a 28 de maio desse
ano na Faculdade de Direito, com toda pompa e circunstância.
Dizem que essa fundação não valeu, porque a Academia nunca funcionou. Mas funcionou, sim. Elegeu 25 acadêmicos e o interventor federal Ari Parreiras até prestigiou a posse solene da primeira diretoria efetiva, em 22 de dezembro de 1931, com Raul de Oliveira Rodrigues confirmado na presidência. Dos fundadores de 1931, muitos voltaram para a refundação de 1943. Mas pelo menos dois tiveram cassada a láurea acadêmica: Edésio Barbosa da Silva e Honório Peçanha.
Cassados duas vezes, aliás, porque ambos viviam e gozavam de excelente saúde em 1973, quando a Academia ressurgiu de novo das cinzas. A exclusão de Honório até se pode explicar, o que não significa entender: era considerado comunista e a 2ª Academia nasceu do ventre da ditadura do Estado Novo, quando os comunistas não gozavam de nenhum prestígio, muito pelo contrário. Foi novamente cassado pela 3ª Academia de 1973, e pelo mesmíssimo motivo, estávamos entrando nos tristes Anos de Chumbo de outra triste ditadura. Mas o doutor Edésio! O que fez este pacífico homem, mergulhado em suas pesquisas da história de Porciúncula para merecer a cassação? Bom... voltando às datas. A Academia de 1931 adormeceu logo no ano seguinte, é verdade. Mas a de 1943 também adormeceu, desde 1955, quando o bom e insubstituível Horácio Pacheco transferiu a presidência a monsenhor Uchoa. Com alguma benevolência consideremos como atividade o fato de ter assinado em 1959 o manifesto de lançamento do Movimento Cultural Fluminense, bela ideia de dois Pimentéis: o Paulo César, que já se foi, e o Luís Antônio, que para o bem do povo e felicidade geral da nação continua entre nós.
Depois disso, a Academia só dá sinais de vida em agosto de 1973, quando passa de fato a existir, depois da desastrada reforma que fez dela uma espécie de Academia Nítero-Cantagalense de Letras. Digo isso porque entre outras ilustres sumidades injetou como patronos os cantagalenses Silva Santos, José Carlos Rodrigues, Euclides da Cunha (vá lá), que nunca ouviram falarem praça Araribóia. E até Américo de Castro, que
nasceu em Cantagalo mas foi trocar a primeira fralda na Espanha, enquanto
niteroienses como Felisberto de Carvalho ou Adelino Magalhães ficaram no maruí
do esquecimento. Pecadilho menor, que não vem ao caso. O que realmente incomoda
é essa discrepância de datas de fundação, que um dia há de ser corrigida.
Que as belas e vaidosas mulheres enganem a idade, é até charmoso. Mas não se admite que uma sociedade dita cultural vire as costas com tanta sem-cerimônia para a história. No caso, sua própria história.
Dizem que essa fundação não valeu, porque a Academia nunca funcionou. Mas funcionou, sim. Elegeu 25 acadêmicos e o interventor federal Ari Parreiras até prestigiou a posse solene da primeira diretoria efetiva, em 22 de dezembro de 1931, com Raul de Oliveira Rodrigues confirmado na presidência. Dos fundadores de 1931, muitos voltaram para a refundação de 1943. Mas pelo menos dois tiveram cassada a láurea acadêmica: Edésio Barbosa da Silva e Honório Peçanha.
Cassados duas vezes, aliás, porque ambos viviam e gozavam de excelente saúde em 1973, quando a Academia ressurgiu de novo das cinzas. A exclusão de Honório até se pode explicar, o que não significa entender: era considerado comunista e a 2ª Academia nasceu do ventre da ditadura do Estado Novo, quando os comunistas não gozavam de nenhum prestígio, muito pelo contrário. Foi novamente cassado pela 3ª Academia de 1973, e pelo mesmíssimo motivo, estávamos entrando nos tristes Anos de Chumbo de outra triste ditadura. Mas o doutor Edésio! O que fez este pacífico homem, mergulhado em suas pesquisas da história de Porciúncula para merecer a cassação? Bom... voltando às datas. A Academia de 1931 adormeceu logo no ano seguinte, é verdade. Mas a de 1943 também adormeceu, desde 1955, quando o bom e insubstituível Horácio Pacheco transferiu a presidência a monsenhor Uchoa. Com alguma benevolência consideremos como atividade o fato de ter assinado em 1959 o manifesto de lançamento do Movimento Cultural Fluminense, bela ideia de dois Pimentéis: o Paulo César, que já se foi, e o Luís Antônio, que para o bem do povo e felicidade geral da nação continua entre nós.
Depois disso, a Academia só dá sinais de vida em agosto de 1973, quando passa de fato a existir, depois da desastrada reforma que fez dela uma espécie de Academia Nítero-Cantagalense de Letras. Digo isso porque entre outras ilustres sumidades injetou como patronos os cantagalenses Silva Santos, José Carlos Rodrigues, Euclides da Cunha (vá lá), que nunca ouviram falar
Que as belas e vaidosas mulheres enganem a idade, é até charmoso. Mas não se admite que uma sociedade dita cultural vire as costas com tanta sem-cerimônia para a história. No caso, sua própria história.
Divulgação
cultural
(Clique na
imagem para ampliar)














