sexta-feira, 13 de abril de 2012

A “fluminensidade” novamente em pauta


Provando que a ideia de uma identidade fluminense não é provincianismo, o escritor Gilson Rangel Rolim, explora com proficiência a temática na postagem de hoje.





RJ – Identidade em questão




Devo dizer, inicialmente, que sou fluminense por escolha. Vindo do sul do Espírito Santo na primeira infância, aí pelo início dos anos 1930, por todo o resto de meus quase oitenta anos tenho vivido na Velha Província; em Niterói, por quase todo esse tempo. Portanto, com muito orgulho, me considero fluminense e, mais particularmente, niteroiense.

Não tem esta palestra a intenção de acirrar as divergências históricas que, de forma latente, às vezes dominam os fluminenses da capital (cariocas) e os das demais regiões do estado. O escopo deste trabalho é tecer algumas considerações sobre as origens deste nosso Rio de Janeiro, a partir da chegada do portugueses ao Cabo de S. Tomé (município de Campos dos Goytacazes) em 21 de dezembro de 1501, dez dias antes de chegarem à Baía de Guanabara.

Reconheço que o fato de ter sido o centro do poder no Brasil por quase duzentos anos (de 1763, com a transferência da capital de Bahia para a cidade do Rio de Janeiro, a 1960, quando Brasília passou a capital do País) deu à hoje capital de nosso estado, uma hegemonia cultural inquestionável, na região e no país.Tal hegemonia, entretanto, não se estendia  ao resto da província, salvo durante o período em que a cultura cafeeira predominava no interior do Rio de Janeiro, isso em boa parte do século XIX, durante o período imperial. As velhas fazendas localizadas em municípios do Vale do Paraíba são a memória viva desses tempos.

O gentílico fluminense, vindo do original latino flumen, que significa rio, era o adotado por toda a população do Rio de Janeiro, da cidade e do restante da província. A partir de 1834, com a criação do Município Neutro (a Corte), o termo carioca, de origem indígena, significando, segundo alguns estudiosos, casa de branco, passou a designar seus habitantes. Já o gentílico fluminense ficou para referência aos demais habitantes da província. Contudo, por força da tradição, a designação fluminense continuou prevalecendo, mesmo para a Corte, cuja elite era chamada de sociedade fluminense, não só pelo grande Machado de Assis como pelos demais escritores da época. O próprio Machado deu a alguns de seus trabalhos o título de “Contos fluminenses”. O clube Fluminense, que entre seus apaixonados torcedores tinha o grande escritor Nelson Rodrigues, e tem o nosso estimado confrade Wanderlino, ganhou esse nome devido à tradição e a beleza de nosso gentílico. O termo carioca passou a predominar na cidade do Rio de Janeiro com o advento da República, devido a seu crescimento econômico e político, coincidindo com a decadência da cafeicultura do interior, situação que pôs em segundo plano a Província Fluminense, já então transformada em estado, usualmente chamado de Estado do Rio.

Até aqui eu não justifiquei a razão do título desta palestra: RJ – Identidade em questão. Por isso mesmo vou prosseguir nas considerações e, estou certo, justificarei o título.

É fora de dúvida que a cidade do Rio de Janeiro e o território do estado a que pertence tiveram origem histórica na mesma época. Dez dias antes que a expedição portuguesa comandada por Gaspar de Lemos, tendo em sua companhia o navegador Américo Vespucio, descobrisse a baía de Guanabara (a leste, Niterói; e a oeste, o Rio de Janeiro) em 1º de janeiro de 1502, já o território fluminense (podemos assim chamá-lo) fora descoberto por essa expedição, que já chegara ao Cabo de S. Tomé (município de Campos, hoje dos Goytacazes), em 21 de dezembro de 1501. Prosseguindo, a expedição chegou a Angra dos Reis, a 6 de janeiro de 1502.  Se acrescentarmos que em 1503 uma outra expedição, esta comandada por Gonçalo Coelho, descobriu Cabo Frio, no local onde hoje está o município de Arraial do Cabo, veremos que o território do Rio de Janeiro é uno desde os primórdios.

Por todo o tempo que se seguiu à fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1565, a colonização feita nas antigas capitanias de S.Tomé (de Pero Góis da Silveira) e S. Vicente (de Martim Afonso de Souza), que constituíam o território da província, foi feita sem que houvesse separação entre a cidade e as demais vilas e povoados. Em 1808, quando da chegada da Corte Portuguesa, D. João VI à frente, o Rio de Janeiro tinha duas cidades (Rio e Cabo Frio) e seis vilas (Angra dos Reis, Parati, Magé, Macacu, Campos dos Goytacazes   também chamada S. Salvador e S. Gonçalo). Niterói só viria a ser considerada vila em 1819, com o nome de Vila Real da Praia Grande. Como território uno o Rio de Janeiro permaneceu até 1834 quando, pelo ato adicional de 12 de agosto de 1834, foi criado o Município Neutro, no espaço onde hoje se localiza a cidade do Rio de Janeiro. A partir de então, a província fluminense viu-se seccionada, tendo como capital a cidade de Niterói; o município neutro passou a sediar a Corte, o governo do País.

Tem início aí a questão da personalidade da província/estado do Rio de Janeiro. Emancipada, já não mais integrando o território fluminense, a cidade do Rio de Janeiro com sua importância de capital do Império estabeleceu, mais que geograficamente, uma separação cultural com o restante da província. È certo que, como ressaltei anteriormente, a província fluminense por força de sua economia cafeeira mantinha uma posição de destaque na política brasileira, tendo como vultos de destaque figuras como Evaristo da Veiga, Gonçalves Ledo, Paulino José Soares de Sousa (Visconde do Uruguai), Joaquim José Rodrigues (Visconde de Itaboraí), Benjamin Constant e Silva Jardim, entre tantos outros. Todavia, como já mencionado, enquanto a cidade do Rio de Janeiro caminhava para o desenvolvimento econômico e cultural, sobretudo a partir da queda do império, o Rio de Janeiro, estado, entrava em fase de estagnação econômica. Era natural, pois, que o gentílico carioca assumisse lugar de destaque, deixando em segundo plano o tradicional fluminense.

Para a província e, mais tarde, Estado do Rio de Janeiro, o fato de ser uma extensão da capital do País (pejorativamente, seu quintal), não lhe causava maiores constrangimentos. Afinal, em seu histórico território, localizava-se o centro político e cultural do Brasil. Todavia, com a transferência da capital para Brasília, em 1960, e a criação do Estado da Guanabara, aquela condição de quase colônia do Estado do Rio de Janeiro passou a ser inaceitável. Do ponto de vista político, a mudança da capital foi altamente vantajosa para o estado recém-criado (custo dos serviços essenciais por conta da União, aplicação de imposto estadual (IVC) em um único município, etc.). Ao Estado do Rio, como assim era chamado, apesar de sua condição de extensão da capital do País, nenhuma compensação. A circunstância de ter municípios próximos ao Rio (Niterói, S.Gonçalo, Duque de Caixas e Nova Iguaçu, principalmente) com populações crescentes, tornava o Estado da Guanabara favorecido com a participação tributária dessas populações através da predominância da economia carioca. É importante observar que, não obstante esta circunstância, o Estado da Guanabara era dependente do Estado do Rio quanto a água, energia e hortifrutigranjeiros. Os quinze anos de existência do novo estado coincidiram com o surgimento do que se pode chamar Rio Metropolitano (a cidade do Rio e suas vizinhas), com problemas comuns que ultrapassavam os limites político-administrativos estabelecidos. Outra circunstância a considerar foi o surgimento no início dos anos 1970, na região de Macaé e Campos, dos campos petrolíferos que viriam a mudar todo panorama econômico do território fluminense como um todo,  proporcionando ao Estado do Rio a retomada de seu crescimento econômico. Sem entrar no mérito da decisão política adotada ou a legitimidade do governo federal de então, devemos reconhecer a perspicácia do General Geisel que, percebendo a inconveniência de manter duas unidades federativas num território que jamais deveria ser separado, decidiu reunificar o Estado do Rio de Janeiro, em 1975, no que foi conhecido como Fusão.

Lideranças políticas e sociais, e mesmo populares, tanto da cidade do Rio de Janeiro quanto do Estado do Rio posicionaram-se contrariamente à Fusão, que eu chamo de reintegração territorial fluminense, alegando que as populações não haviam sido consultadas.  Era uma fraca alegação. Conforme tive oportunidade de me manifestar em artigo publicado no Jornal do Brasil em maio de 2005, por ocasião de uma campanha pela desfusão, não houve consulta quando do desmembramento, em 1834; não houve em 1889, quando da transformação do Município Neutro em Distrito Federal; também não houve quando da criação do Estado da Guanabara. Logo, para restaurar a integridade territorial fluminense não fazia sentido realizar uma consulta à população. Aliás, essa tentativa de desfusão partiu de certos setores da elite bairrista carioca, que se recusam a admitir-se fluminenses, e foi acompanhada por setores do velho Estado do Rio, com justificativas provincianas.

Assim foi que por quase cento e quarenta e um anos, a identidade do Rio de Janeiro, quer como província, quer como estado, esteve dividida entre o gentílico fluminense, das tradições da Velha Província, e o carioca, da metrópole, capital do País. Desta forma, por força de sua condição de centro cultural do Brasil, o bairrismo carioca aflorou a ponto de, através de seus meios de comunicação (jornais, principalmente), colocar em condição subalterna o velho Estado do Rio.

Em todos os estados, os habitantes de suas capitais tem orgulho de dizer-se do ESTADO, mineiros, paulistas, gaúchos, pernambucanos e os demais. Apenas aqui, os da capital esquivam-se de dizer-se fluminenses, preferindo realçar sua condição de cariocas. O pior é que, por influência da mídia, e por ignorância às vezes, muitos dos habitantes da região metropolitana parecem envergonhados de se dizerem niteroienses, gonçalenses, caxienses ou iguaçuanos; chegam a orgulhar-se de se dizerem cariocas. Apenas mais recentemente, quando já temos trinta e quatro anos de reunificação territorial, é que o gentílico fluminense começa a ganhar força; não obstante, certas atividades de âmbito estadual ainda são chamadas erradamente de cariocas.

Desejo enfatizar que o objetivo de meu questionamento é levantar a bandeira da verdadeira identidade dos habitantes do Estado do Rio de Janeiro. Somos todos fluminenses, do Rio, de Campos, de Niterói, de Resende, de Petrópolis, de Itaperuna e dos demais municípios. Observei que a tentativa de relegar o gentílico fluminense a segundo plano surgiu logo após a Fusão. Observem o que aconteceu com as entidades esportivas, a começar pelo futebol: em vez de Federação Fluminense de Futebol, a exemplo da paulista, da mineira, da gaúcha e as dos demais estados, Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ); o mesmo ocorreu com os outros esportes. E na política? Não foram poucas as vezes em que escrevi para jornais contestando a designação “deputado carioca” e “senador carioca” para referência aos representantes de nosso estado no Congresso Nacional.

Não me move qualquer sentimento de aversão aos coestaduanos cariocas. O que eu combato é o uso do gentílico carioca no lugar do belo e tradicional gentílico fluminense, que por direito aplica-se às pessoas e coisas do Estado do Rio de Janeiro. Se outrora a expressão “cariocas e fluminenses” fazia sentido, hoje não mais. Usá-la hoje seria admitir a existência de duas comunidades sob uma federação.

Finalizo com uma declaração de amor a esta cidade de Niterói, de tão belas tradições e tantas belezas naturais, em que vivo por tantas décadas. Não obstante essa benquerença a nossa “cidade sorriso”, reconheço que, enquanto capital da Velha Província, o era apenas de direito, pois a capital de fato era a metrópole carioca, que fazia e ainda faz a cabeça dos fluminenses em geral. Como já acontece há tanto tempo, continuemos a usufruir dessa integração e dos encantos da “cidade maravilhosa”, de sua gente que, em milhares de casos, tem laços familiares nas cidades que lhe são vizinhas.




Divulgação Cultural
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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sexta-feira da paixão em companhia de Friedrich, Varela e Bach


Para o cristão, a época é de meditar sobre a singularidade da tarefa do Cristo (na tela de Friedrich); de entender o sentido profundo da paixão e dela compartilhar (na poesia de Varela) e de celebrar um reino do coração (com o São Matheus, de Bach).
Para o leigo, pode ser uma ocasião para se estar, uma vez mais, diante do belo...


 Riesengebirgslandschaft (1810), de Caspar Friedrich
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Cântico do calvário

                                                                   Fagundes Varela

                                                                                  À memória de meu Filho
                                                                                               morto a 11 de dezembro de 1863


Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.
Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, a inspiração, a pátria,
O porvir de teu pai! - Ah! no entanto,
Pomba, - varou-te a flecha do destino!
Astro, - engoliu-te o temporal do norte!
Teto, - caíste!- Crença, já não vives!
Correi, correi, oh! lágrimas saudosas,
Legado acerbo da ventura extinta,
Dúbios archotes que a tremer clareiam
A lousa fria de um sonhar que é morto!
Correi! um dia vos verei mais belas
Que os diamantes de Ofir e de Golconda
Fulgurar na coroa de martírios
Que me circunda a fronte cismadora!
São mortos para mim da noite os fachos,
Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas,
E à vossa luz caminharei nos ermos!
Estrelas do sofrer, gotas de mágoa,
Brando orvalho do céu! Sede benditas!
Oh! filho de minh'alma! Última rosa
Que neste solo ingrato vicejava!
Minha esperança amargamente doce!
Quando as garças vierem do ocidente
Buscando um novo clima onde pausarem,
Não mais te embalarei sobre os joelhos,
Nem de teus olhos no cerúleo brilho
Acharei um consolo a meus tormentos!
Não mais invocarei a musa errante
Nesses retiros onde cada folha
Era um polido espelho de esmeralda
Que refletia os fugitivos quadros
Dos suspirados tempos que se foram!
Não mais perdido em vaporosas cismas
Escutarei ao pôr-do-sol, nas serras,
Vibrar a trompa sonorosa e leda
Do caçador que aos lares se recolhe!
Não mais! A areia tem corrido, e o livro
De minha infanda história está completo!
Pouco tenho de andar! Um passo ainda
E o fruto de meus dias, negro, podre,
Do galho eivado rolará por terra!
Ainda um treno, e o vendaval sem freio
Ao soprar quebrará a última fibra
Da lira infausta que nas mãos sustenho!
Tornei-me o eco das tristezas todas
Que entre os homens achei! o lago escuro
Onde o clarão dos fogos da tormenta
Miram-se as larvas fúnebres do estrago!
Por toda a parte em que arrastei meu manto
Deixei um traço fundo de agonias!...
Oh! quantas horas não gastei, sentado
Sobre as costas bravias do Oceano,
Esperando que a vida se esvaísse
Como um floco de espuma, ou como o friso
Que deixa n'água o lenha do barqueiro!
Quantos momentos de loucura e febre
Não consumi perdido nos desertos,
Escutando os rumores das florestas,
E procurando nessas vozes torvas
Distinguir o meu cântico de morte?
Quantas noites de angústias e delírios
Não velei, entre as sombras espreitando
A passagem veloz do gênio horrendo
Que o mundo abate ao galopar infrene
Do selvagem corcel!... E tudo embalde!
A vida parecia ardente e doida
Agarrar-se a meu ser!... E tu tão jovem,
Tão puro ainda, ainda n'alvorada,
Ave banhada em mares de esperança,
Rosa em botão, crisálida entre luzes,
Foste o escolhido na tremenda ceifa!
Ah! quando a vez primeira em meus cabelos
Senti bater teu hálito suave:
Quando em meus braços te cerrei, ouvindo
Pulsar-te o coração divino ainda;
Quando fitei teus olhos sossegados,
Abismos de inocência e de candura,
E baixo e a medo murmurei: meu filho!
Meu filho! Frase imensa, inexplicável,
Grata como o chorar de Madalena
Aos pés do Redentor... ah! pelas fibras
Senti rugir o vento incendiado
Desse amor infinito que eterniza
O consórcio dos orbes que se enredam
Dos mistérios do ser na teia augusta
Que prende o céu à terra e a terra aos anjos!
Que se expande em torrentes inefáveis
Do seio imaculado de Maria!
Cegou-me tanta luz! Errei, fui homem!
E de meu erro a punição cruenta
Na mesma glória que elevou-me aos astros,
Chorando aos pés da cruz, hoje padeço!
O som da orquestra, o retumbar dos bronzes,
A voz mentida de rafeiros bardos,
Torpe alegria que circunda os berços
Quando a opulência doura-lhes as bordas,
Não te saudaram ao sorrir primeiro,
Clícia mimosa rebentada à sombra!
Mas, ah! se pompas, esplendor faltaram-te,
Tiveste mais que os príncipes da terra!
Templos, altares de afeição sem termos!
Mundos de sentimento e de magia!
Cantos ditados pelo próprio Deus!
Oh! quantos reis que a humanidade aviltam,
E o gênio esmagam dos soberbos tronos,
Trocariam a púrpura romana
Por um verso, uma nota, um som apenas
Dos fecundos poemas que inspiraste!
Que belos sonhos! Que ilusões benditas!
Do cantor infeliz lançaste à vida,
Arco-íris de amor! luz da aliança,
Calma e fulgente em meio da tormenta!
Do exílio escuro a cítara chorosa
Surgiu de novo e às virações errantes
Lançou dilúvios de harmonia! O gozo
Ao pranto sucedeu. As férreas horas
Em desejos alados se mudaram.
Noites fugiam, madrugadas vinham,
Mas sepultado num prazer profundo
Não te deixava o berço descuidoso,
Nem de teu rosto meu olhar tirava,
Nem de outros sonhos que dos teus vivia!
Como eras lindo! Nas rosadas faces
Tinhas ainda o tépido vestígio
Dos beijos divinais, - nos olhos langues
Brilhava o brando raio que acendera
A bênção do Senhor quando o deixaste!
Sobre teu corpo a chusma dos anjinhos,
Filhos do éter e da luz, voavam,
Riam-se alegres, das caçoilas níveas
Celeste aroma te vertendo ao corpo!
E eu dizia comigo:- teu destino
Será mais belo que o cantar das fadas
Que dançam no arrebol, - mais triunfante
Que o sol nascente derribando ao nada
Muralhas de negrume!... Irás tão alto
Como o pássaro-rei do Novo Mundo!
Ai! doido sonho!... Uma estação passou-se
E tantas glórias, tão risonhos planos
Desfizeram-se em pó! O gênio escuro
Abrasou com seu facho ensangüentado
Meus soberbos castelos. A desgraça
Sentou-se em meu solar, e a soberana
Dos sinistros impérios de além-mundo
Com seu dedo real selou-te a fronte!
Inda te vejo pelas noites minhas,
Em meus dias sem luz vejo-te ainda,
Creio-te vivo, e morto te pranteio!...
Ouço o tanger monótono dos sinos,
E cada vibração contar parece
As ilusões que murcham-se contigo!
Cheias de frases pueris, estultas,
O linho mortuário que retalham
Para envolver teu corpo! Vejo esparsas
Saudades e perpétuas, sinto o aroma
Do incenso das igrejas, ouço os cantos
Dos ministros de Deus que me repetem
Que não és mais da terra!... E choro embalde.
Mas não! Tu dormes no infinito seio
Do Criador dos seres! Tu me falas
Na voz dos ventos, no chorar das aves,
Talvez das ondas no respiro flébil!
Tu me contemplas lá do céu, quem sabe?
No vulto solitário de uma estrela.
E são teus raios que meu estro aquecem!
Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!
Brilha e fulgura no azulado manto,
Mas não te arrojes, lágrima da noite,
Nas ondas nebulosas do ocidente!
Brilha e fulgura! Quando a morte fria
Sobre mim sacudir o pó das asas,
Escada de Jacó serão teus raios
Por onde asinha subirá minh'alma.









sexta-feira, 30 de março de 2012

"No céu como as estrelas" - Comunidade literária de Niterói se despede de A. Barcellos Sobral




A. Barcellos Sobral
(1919 - 2012)

Na noite de ontem nos deixou o poeta, esteta e teórico da literatura A. Barcellos Sobral. Sobral era autor de significativa obra poética e possuía um ensaio de estética original intitulado Contemplação da unidade – Tentativa de uma holística da existência. Autor, também, de obras primas como Misael, crônicas de uma paternidade e No alto como as estrelas, Sobral despertava a admiração e o respeito de todos que conheciam sua obra.
Celebrando a memória deste que reunia todas as condições para – sem favor algum – ser chamado de savant, a postagem de hoje traz um conjunto de apreciações da obra do autor e excertos de uma entrevista inédita concedida por aquele teórico a mim (entrevista que será publicada num livro chamado Conversações com intelectuais fluminenses, a ser lançado em maio próximo).




Depoimentos

“... os poetas modernos têm medo do pensamento. Fogem da poesia filosófica. Ou então ficam no puro abstracionismo. O senhor não. Enfrenta essa coisa dificílima: a poesia e a especulação. E o seu pensamento não esmaia a beleza. Nem esta abafa a meditação.
O essencial é que vejo, nos seus versos, um sentido próprio, um caminho original e alguma coisa que pode vir a marcar...
... sinto que seus versos, não só por serem inéditos, mas por serem o que são, representam alguma coisa de sério e mesmo de importante.”

Pois li Misael, agora. E gostei muito. Belo texto. Você é um grande poeta. Feliz Misael, que teve um tal pai. Felizes os cinco filhos, que tiveram Você. Delicadeza, harmonia, uma atmosfera simbolista, a depuração, o ritmo sutil, tudo impecável, raro. Gratíssimo a Você pelo dom dessa alta poesia, expressa numa forma perfeita, num estilo que está entre os mais puros do Brasil. Você me lembra às vezes certas páginas refinadas do melhor Andrade Murici. Quer dizer, um herdeiro do simbolismo. Misael precisa de ser publicado. E quanto antes.
Creia que foi um prazer para mim dialogar tranquilamente com a sua poesia. Você é puramente um poeta. Que carta bonita lhe mandou Tristão ― há tantos anos... Consagradora. Calorosa. Plena justiça a você, a seu talento, a essa misteriosa dedicação desinteressada à poesia ― mysterium fidei. Você já leu A minha Fé, de Joaquim Nabuco, uma apologia da sua fé, escrita em Petrópolis, 1892-1893, inédita até agora no Brasil, publicada pelo Instituto Joaquim Nabuco, do Recife? Que livro penetrante. Sua poesia é toda filosófica. Você é simultaneamente um poeta e um filósofo. Uma poesia densamente psicológica, sim, e tocada sempre por uma indagação metafísica. Você poderia chamar à sua Poética Diário Metafísico, à maneira de Gabriel Marcel. Porque você é um homo viator, um peregrino, um servidor da verdade, alguém que não se pertence, mas pertence à poesia, à vida transcendente. Que domínio completo e ágil tem você da forma poética. Você encontrou realmente a sua forma, o seu ritmo perfeito, harmoniosa, exato, a sua respiração. Poesia é respiração. Você recebeu de fato esse grande dom poético, o poder de exprimir a vida em termos de beleza. Você está longe felizmente de ser um racionalista. Você acolhe a vida, a vida toda, inteira, na sua complexidade. Você bem sabe que “intellectus quidam defectus est ratio”, a razão é a imperfeição da inteligência. Você é inteligência e sensibilidade. Guardo uma impressão muito agradável dessa poesia profunda, vivida, sofrida, existencial, de uma densidade e de uma leveza constante, que é a sua poesia. Você é um criador pleno, maduro, altamente consciente. Você conhece a poesia de Wilson Alvarenga Borges? Lembrei-me agora dele a propósito de você. Há analogias entre as experiências poéticas dos dois artistas. Penso a seu respeito na obra de Raïssa Maritain, tão vertical, tão diáfana, tão espiritual sempre. La Vie Donnée, Lettre de Nuit, Au Creux du Rocher, tantas páginas de suma beleza, como o poema trágico Deus Excelsus Terribilis, em plena guerra. Você pertence a esse nobre universo dos poetas profundamente espirituais. Um Max Jacob, um Pierre Reverdy, um Alphonsus, um Dom Marco Barbosa, um Francisco Karam, uma Maria Isabel, uma Carminha Gouthier... Tantos. Receba o abraço de admiração afetuosa do seu velho e enternecido leitor, que deseja tudo de bom para você.


“Quanta angústia e quanta reflexão. Agora a carta de Tristão torna-se mais clara para mim. Terá sido a análise do POEMA? O Sr. me lembra o Leopardi e o Augusto dos Anjos, em sua cósmica e dilacerante indagação, pondo de lado o arcabouço cientifico, que emprestava à forma uma mensagem específica. Lembra-me, de certo modo, Leconte de Lisle e, mais intensamente ainda, lembra-me o poema de Arturo Graf. Exatamente. Graf. No poema em que fala de um silêncio voraz, avassalador, implacável, a contrastar com o rumor de sua angústia e desespero.
Os seus poemas são de uma beleza e de uma força extraordinária. O aspecto místico, ainda que importante, não prepondera. A sua força se concentra muitíssimo na melodia intrínseca de cada reflexão. Logopéia, teria dito Ezra Pound.
Uma poesia transida por uma intensa re-flexão, onde a mística e o lirismo se entrelaçam num ritmo preciso e concentrado. O poeta, a natureza e os homens tecem um dialogo com a eternidade, a partir do fluxo do cosmos e da conquista da alma.
Tenha por ora a minha impressão mais ardente e sincera de uma grande poesia.”
 

“A densidade das reflexões consignadas em Contemplação da unidade nos mostra que o livro é mais que um tratado de estética: estaríamos diante de um daqueles casos em que o valor da obra se mostra quando nos sentimos desafiados ao seu estudo. Trata-se de um trabalho cuja importância se mensura pelo tempo dispensado ao seu entendimento. (...) A autenticidade do projeto de A. Barcellos Sobral necessita de herdeiros disponíveis a aprender a sua visada abrangente, criadora e rigorosa, de gente que esteja disponível a contemplar a Unidade.
Eis o trabalho da vida de um homem, um livro que nos ensina que a contemplação não é apenas exploração ou crítica, mas um amor sem paixão, capaz de perceber as coisas simples, serenamente”.


 “Magnificamente poeta, A. Barcellos Sobral tem o aplauso entusiasmado da primeira linha da crítica brasileira de Alceu Amoroso Lima a Antonio Carlos Villaça, de Henrique Serpa Pinto a Marco Lucchesi. Vozes que confirmam a vocação do poeta e a cosmovisão do artista.
Desde 1955, quando o Clube de Poesia de Campos, sob a liderança do sempre lembrado Mario Newton Filho, lançou Poema – 1º Caderno, A. Barcellos Sobral foi reconhecido como autor de uma poesia essencialmente espiritual, de fundo dramático. Em No Alto Como as Estrelas, editado em 1987, pela Cátedra, e neste Misael, sua produção evolui para o lirismo, dela desaparecendo todos os vestígios da primeira publicação.
Misael – Crônica de uma paternidade é uma coletânea de primoroso texto, permeando aleluias e hosanas com formas abissais de ternura e beleza. Livro reclamado, de há muito, pelas estantes mais categorizadas da poética brasileira, Misael satisfaz a espera de anos, para tornar-se obra obrigatória na nominata do que melhor existe em nosso país”.


“De seu livro Poema⁄1º Caderno agradou-me mais a primeira parte. Julgo realizada a experiência de uma diferente metrificação. Há uma mágica, um ritmo ímpar, que resultam da nova contagem de sílabas, e muito bem se adaptam ao seu pensamento”. 



Entrevista


ROBERTO KAHLMEYER-MERTENS: Não há como começar essa entrevista senão dizendo o quanto sua presença em nosso projeto é grata e só nos honra. Receio estar me repetindo, mas devo dizer que obras como Misael em nada ficam a dever a livros como o Hipérion[1] de Hölderlin ou os Frutos da terra[2] de André Gide.

 A. BARCELLOS SOBRAL: Agradeço o elogio, o interesse e o convite que tanto me prestigia.

 (...)


K-M: Numa primeira avaliação do conjunto de sua obra, por um olhar superficial, ela parece heterodoxa. Temos poesia lírica, dramática, poemetos que o senhor chama de “parábolas”, poemas em prosa e, no fim de tudo, um ensaio científico. Numa segunda visão, atenta ao conteúdo, é possível enxergar um fio condutor que parece perpassar os seus textos, desde a obra de juventude, lá em 1955, caminhando necessariamente para o seu livro Contemplação da unidade,[3] de 1998. Com isso talvez se esboce o itinerário para o que o senhor, nesse livro, chama de “poesia integral”. Minha leitura é correta ou estaria diante apenas de uma impressão? Há um ‘leitmotiv’ ou seria uma miragem?

BS: Há o fio condutor. E isso já pode ser constatado desde minhas parábolas, pois nelas já há a indicação do que penso filosoficamente. Meu entendimento de filosofia é diverso do tradicional. Penso que seja mais próximo do de sabedoria, encontrada no pensamento oriental e em alguns místicos do cristianismo, do que na tradição filosófica, que às vezes tende a uma verborragia. Perdoe se digo isso a um leitor de Kant, Hegel e Heidegger, como você.

K-M: O que o senhor chama de parábolas são como pequenos poemas. Tais como “koans”, enigmas budistas a que certos cientistas contemporâneos recorreram para pensar a física quântica. Permita-me que leia duas parábolas de seu livro No alto como as Estrelas:


“Falo demais do ser
e da beleza. Pode a fonte
mudar seu canto?”

E ainda

“Penso em Deus.
Corre a tartaruga
atrás da luz.”

BS: Muito bem. Note-se que a parábola, antes de ser literária, tem uma significação filosófica, em um plano ainda mais profundo. Tenho perto de 2500 parábolas, que contam uma longa história. Isso é sinal de uma direção e, mesmo que não declare isso, é algo implícito no desenvolvimento de minha obra.

K-M: Identifico, então, um caminho da poesia à filosofia. O que prova que poesia e pensamento científico, na sua obra,  são indissociáveis.

BS: Pois não, perfeito!  

K-M: Talvez por isso vejamos comentários que apontam para esse mesmo sentido sobre o senhor, como é o caso de Marco Lucchesi, Antônio Carlos Villaça e, entre todos os comentários, o de Alceu Amoroso Lima quando (se me permite que leia) diz que: 

 “Os poetas modernos têm medo do pensamento. Fogem da poesia filosófica. Ou então ficam no puro abstracionismo. O senhor não. Enfrenta essa coisa dificílima: a poesia e a especulação. E o seu pensamento não esmaia a beleza. Nem abafa a meditação (...) o essencial é que vejo, nos seus versos, um sentido próprio, um caminho original e alguma coisa que pode vir a marcar (...) sinto que em seus versos, não só por serem inéditos, mas por serem o que são representam alguma coisa de sério e mesmo de importante”. 

Esse parecer, vindo de quem vem, é mais que autorizado. Daí, gostaria de saber como o senhor vê a implicação entre poesia e pensamento. Poesia e filosofia seriam mesmo duas montanhas vizinhas? 

BS: Deixe-me ver aqui... é uma longa história... Temos aqui o item 3.2.1 do Contemplação da unidade. Neste item, apresento os meios de projeção estética. O que entendo por projeção estética é a situação do fato estético, nos meios de projeção estética: o microespaço, o macroespaço, o megaespaço e o microespaço-tempo. No microespaço-tempo, teríamos o pensamento, a sensação, o sentimento, a emoção, as pulsões etc. e as artes que se projetam no espaço-tempo psicológico, isto é, a poesia e a música. O microespaço-tempo se divide em físico e psicológico. Isso pode ser verificado em poesias como as contidas em meu Agonia e ressurreição, pois os poemas que aí coloco correspondem ao paradigma de minha poética “psiqueísta” (de psiqueísmo), sem pretender criar uma nova escola literária. 

K-M: O senhor poderia recitar uma das poesias, para que possamos ter uma maior clareza do que se trata, por meio da exemplificação? 

BS: Pois não. Aqui está: 

“Noite fechada.
Caída sobre os neurônios.
A esperança como armadura
menor do que o guerreiro
fere-lhe a resistência.
Mas ele não cede
põe sobre o mal-estar
unguento de paciência.
Resiste heroicamente
como um dique de pedra
resiste à pressão da inundação.
Proibido capitular
ou mesmo gemer resmungar.
A regra é resistir.
Opor logística espiritual bastante
para transformar angústia e caos
em mais ser em mais ser.” 

Aqui se expressam os termos da minha poética.




[1] HÖLDERLIN, Friedrich. Hypérion. München: Die Deutscher Klassiker, 1993.
[2] GIDE, André. Les nourritures terrestres, et Les nouvelles nourritures. Paris: Gallimard, 1935.
[3] Cf: Bibliografia ao fim desta entrevista.



Principais obras:
Poema/1° Caderno. Campos: Clube de Poesia de Campos, 1955.
No alto como as estrelas. Rio de Janeiro: Cátedra, 1986.
Misael – Crônicas de uma paternidade: Niterói: Cromos, 1996.
Contemplação da unidade – Tentativa de uma holística da existência. 2ª. ed. Niterói: Nitpress, 2010.


Em sinal de luto a A. Barcellos Sobral, o Blog Literatura-Vivência deixará de fazer postagens por
7 dias, a contar da presente data.






Programação mensal da Academia Niteroiense de Letras - Lançamento de novo número da Revista Eletrônica "A Cadeira"



Atendendo a pedidos de leitores do Blog e de frequentadores das reuniões da Academia Niteroiense de Letras, passaremos a divulgar, mensalmente, no Literatura-Vivência a programação acadêmica da ANL.




Dia 4 de abril de 2012
Ciclo de Palestras
“Ressonâncias e memórias de Maria Jacintha”
Palestrante: Marise Rodrigues
17h / gratuito
Rua Visconde do Uruguai, 456 – Centro

***

Dia 11 de abril de 2012
Ciclo de Palestras
“Literatura e imaginário”
Palestrante: Iduína Mont`Alverne B. Chaves
17h / gratuito
Rua Visconde do Uruguai, 456 – Centro
***

Dia 18 de abril de 2012
Painel da Saudade em louvor à memória de Vera de Vives
Orador: Sávio Soares de Sousa
17h / gratuito
Rua Visconde do Uruguai, 456 – Centro

***

Dia 25
Projeto “Conversa Literária”
Mediador: Gilson Rolim
Entrevistado: Jorge Loretti
17h / gratuito
Rua Visconde do Uruguai, 456 – Centro




Entrada Franca

A edição de abril/maio/junho de A Cadeira, revista virtual da Academia Niteroiense de Letras - ANL,  já se encontra no site da ANL. Para acessá-la, entre em www.academianiteroiense.org.br
 e clique em “Revista virtual”. Depois, é só seguir o índice.




Divulgação Cultural
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quinta-feira, 29 de março de 2012

Sobre serenidade, minimalismo e intensidade...




Reza a lenda que durante a reconstrução do Japão, no pós-guerra, representantes dos EUA estiveram visitando Tokyo. Num desses eventos oficiais, um dos estrangeiros (que representava uma conhecida rede norte-americana de museus) foi apresentado a um dos mais respeitados artistas japoneses. Usando da influência de seus assessores, o ocidental conseguiu um convite para jantar na casa do ancião japonês. O jantar viria acompanhado da possibilidade de apreciar a obra pictórica daquele artista.
Chegando a casa simples, o Marchand americano foi cordialmente recebido e, após o jantar, ansioso, foi conduzido à sala ao lado para apreciar a pintura do japonês.
Deparou-se, então, com uma única tela que foi contemplada com ar especialístico durante uns dez minutos. Acabado dali, o americano indagou pelos outros quadros. Foi quando o pintor japonês, admirado, perguntou-lhe:

“ – Mas o senhor consegue ver mais de um quadro por dia?”

A estória, em tom de anedota, ilustra a maneira diversa com que ocidentais e orientais entendem não apenas a arte mas, também, a riqueza. Para o primeiro, riqueza está associada ao acúmulo, à profusão, à quantidade; para o segundo, tem mais a ver com intensidade. 

*

Neste dia 29 de março de 2012, comemoramos o centenário do poeta, jornalista e professor Luís Antônio Pimentel. Muitos louvam Pimentel por sua centena de anos vividos, outros falam de sua vasta obra (mais de 20 livros), mas o maior valor de Pimentel está no fato de ele ter feito sua vida muito mais de intensidade do que de quantidade. Uma prova disso é que, ao escolher uma poesia para praticar, adotou logo o haicai e nesta se fez mestre. Uma poesia serena, minimalista, intensa, mas não menos expressiva... uma poesia que diz muito acerca de seu poeta... conheçamos a poesia haicai de Pimentel (e afastem-se daqui todos aqueles que não se contentam com uma poesia por dia.):


 

Borboletas rubras?
Não! É a sapucaia em flor
A enfeitar a relva.

(PIMENTEL, Luís Antônio. Obras Reunidas. Vol. 2. Niterói: Niterói Livros, 2004. p.418)






Divulgação Cultural
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Clique AQUI e assista a matéria do RJ-TV
da Rede Globo, sobre Luís Antônio Pimentel.


domingo, 25 de março de 2012

Lançamento dos livros “Eles nasceram em Niterói” e “Topônimos tupis de Niterói”.

Dando sequência aos eventos relacionados à comemoração do centenário do poeta Luís Antônio Pimentel, notificamos o lançamento de um livro que congrega edições dos títulos Eles nasceram em Niterói e Topônimos tupis de Niterói.

No primeiro, vemos uma terceira edição ampliada do livro que traz uma criteriosa seleta dos nomes mais ilustres nascidos nesta cidade: Antônio Callado, Antônio Parreiras, Benjamim ConstantEverardo Backheuser, Felisberto de CarvalhoLeila Diniz, Lili Leitão, Márcia Haydée, Roberto DaMatta e Sérgio Mendes são apenas alguns dos perfilados. No segundo, temos o produto de uma ampla pesquisa de Pimentel sobre os nomes de lugares em língua Tupi, de nossa cidade. Um dos livros mais bem sucedidos de Pimentel, Topônimos tupis de Niterói (em sua quinta edição) constitui fonte relevante de estudos para gerações de escolares.
Esta edição comemorativa, promovida pela Secretaria de Cultura de Niterói e pela Fundação de Artes de Niterói – FAN, com o apoio da Imprensa Oficial do Rio de Janeiro, não teria sido possível sem o trabalho engajado de Caio Mattos, Margareth da Luz (responsáveis pela editoração e revisão gráfica) e Will Martins (autor da foto da capa). A estes penhoramos – em nome de Luís Antônio Pimentel – nossos mais sinceros agradecimentos.
Na data do lançamento festivo do livro (gratuito), o público niteroiense ainda poderá assistir à apresentação da Banda Municipal Santa Cecília. Local: Campo de São Bento. Rua Gavião Peixoto, s/n. Icaraí, Niterói.






Divulgação Cultural
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sábado, 24 de março de 2012

Cobertura fotográfica do lançamento do livro “O amor segundo Luís Antônio Pimentel” e estreia da peça “Doze dias com Leviana”.


Um dia histórico para a cultura letrada de Niterói... No teatro em que nasceu a dramaturgia brasileira, a novela “Doze dias com Leviana”, de Luís Antônio Pimentel, escrita em 1935, estreia em grande estilo em Niterói. Enquanto se aguardava o espetáculo, o niteroiense pode participar, na Sala Carlos Couto, da noite de lançamento do livro “O amor segundo Luís Antônio Pimentel” (Nitpress, 2012), que antologiza poesias líricas e eróticas do autor.
Como mostra o registro literário, a elite literária da cidade veio prestigiar o autor que completa 100 anos de idade no próximo dia 29.






Interior da Sala Carlos Couto, anexa ao TMnit

Luís Antônio Pimentel acompanhado de seus admiradores às vésperas do centenário.

O Professor Roberto Kahlmeyer-Mertens, a atriz e contadora de histórias Bia Bedran e o Presidente da Academia Brasileira de Literatura Roberto Santos

O livreiro Carlos Monaco, o médico Benvindo de Salles e o Jornalista Jourdan Amora

Antônio Machado (Toninho, Presidente da Sociedade Fluminense de Fotografia)
Sérgio Chacon, José Chacon de Assis e o Diretor Geral do Teatro Municipal de Niterói Sohail Saud.

Pimentel e Graça Porto

O Editor da Nitpress Luiz Augusto Erthal, o Jornalista Julio Vasco
e o Livreiro e Promotor cultural Carlos Monaco

Lucilia Dowslley e Luís Antônio Pimentel: ambos levantando Um brinde à poesia!

Um flagrante da conversa de Roberto Santos com a poeta Beatriz Chacon

Um poeta com 100, cercado de jovens (todos com 16 anos):
estudantes do Colégio Salesiano de Santa Rosa.

Kahlmeyer e Vasco entretidos em uma conversa literária.

Ana Paula Campos, Zuleika Hallais Walsh (Escritora e Companheira de Pimentel)
ao lado de outras convidadas do evento.

Roberto Kahlmeyer-Mertens, Roberto Santos (Fernando de Aviz)
 e Luiz Antonio Barros, respectivamente: prefaciador, autor das orelhas
e antologista de "O amor segundo Luís Antônio Pimentel".


Capa do livro lançado.



ESTREIA DA PEÇA DOZE DIAS COM LEVIANA

Vista panorâmica do Teatro João Caetano - Niterói.


Cartaz da peça


Vista geral da plateia do teatro,
em destaque o casal Luís Antônio Barros e Maria do Brazil S. Barros.
Na foto, ainda se pode identificar Beatriz Chacon, a acadêmica Elisabeth do Valle, Presidente da Academia de Letras da Região Oceânica Rosemar Sônia Pereira e o jornalista Julio Vasco.

O casal Zuleika e Pimentel

Zuleika Hallais Walsh, Luís Antônio Pimentel e o Editor da Nitpress
e produtor da peça Luiz Erthal

O casal Kahlmeyer-Mertens

Lucilia Dowslley e Maria Helena Latini, dose dupla de poesia boa!

Detalhes do TMnit

"Conheci Leviana numa estação de broadcasting (...)"

"Leviana canta no broadcasting pelo prazer de cantar - boemia de cigarra.
Leviana sabe que, quando chegar o inverno, ela terá muitas peles..."

"Leviana tinha uma religião - o Amor; um deus, - o Fingimento; e uma oração - o Pecado. Leviana dizia que pecar era muito mais humano que rezar".

"Gosto de você, porque me dá a impressão perfeita de dois homens. Quando acendo a luz , é um troglodita; quando apago é um - gentlemann."

Com 100 anos de idade, Luís Antônio Pimentel subiu ao palco para cumprimentar o elenco.

O produtor Luiz Augusto Erthal, a atriz Amanda Gallo (Leviana) e Pimentel.

Pimentel (ao centro) junto ao elenco de Doze dias com Leviana

O agradecimento emocionado/emocionante
(Da esquerda para direita: Luiz Erthal, Luiz Pimentel e Guga Gallo, Diretor da peça) 

A satisfação do autor nos bastidores