Luís Antônio Pimentel ao lado de Carlos Monaco durante a homenagem do Giro Cultural,
promovida pela Imprensa Oficial do Rio de Janeiro e do Grupo Mônaco de Cultura.
Dalma Nascimento
Luís Antônio Pimentel, escritor fluminense, desmente a etimologia da palavra “aposentado”, aquele que “fica no aposento”, recluso do mundo. Nunca se acomodou na cadeira de balanço, de chinelos e pijama, a olhar pela janela, igual à Carolina da música, nem fica vendo a banda passar. Sorrindo à vida no alto de seus noventa anos, está continuamente aberto à beleza do amor, aos signos modernos e jamais abandona a sua máquina fotográfica Nikon, ou o seu pequeno gravador, aliado à eterna inspiração de versejar. E muito bem!
Com seu lúcido olhar de Poeta dos maiores tons em muitos livros de vários temas e estilos publicados, Pimentel integrou-se à paisagem cultural de Niterói. Sempre no fluxo dos acontecimentos memoráveis lá está ele, capturando, com as lentes da sua objetiva, flashes do cotidiano, e relatando episódios verídicos e pitorescos “causos”, a que não faltam a fantasia criadora e o conhecimento linguístico, armazenado em sua longa e frutífera existência.
Jornalista, membro do Instituto Histórico e de várias Academias de Letras, estudioso de provérbios populares e dos topônimos tupis, dos quais fez até um dicionário, ele é também biógrafo de pessoas e lugares em sua coluna semanal de A Tribuna. Niterói. Porém, um dos títulos talvez de que mais ele se orgulhe é o de ser Membro do Calçadão da Cultura do Grupo Mônaco, do Carlos Mônaco da Livraria, além de possuir a carteira nº 1 da Sociedade Fluminense de Fotografia.
Tendo vivido muito tempo no Japão, trabalhou na rádio de Tóquio e publicou, em 1940, o primeiro livro de um poeta brasileiro no idioma nipônico. Com saberes, tão múltiplos e profundos, é verbete da Enciclopédia Delta-Larousse. Colecionador de lembranças, revela, em livros, artigos, fotos e entrevistas até na televisão, a memória nacional e do Estado do Rio de Janeiro. Quem quiser saber algo do passado, logo procura o grande mestre Pimentel.
Por ser dono deste dom, Pimentel lembra um Arconte, aquele dignitário da antiga Grécia, respeitado pela comunidade, preservador e intérprete dos documentos e das leis da pólis. Arconte tem a mesma raiz de “arqueologia”, de “arquivo”, de “arcano” e de “arqueiro”. De fato, Luís Antônio Pimentel, o verdadeiro Arconte de Niterói, é o arquivo vivo da cidade.
Na efervescência das coisas, lá está ele na arkhé, ou seja, nos fundamentos dos fatos, para reconstituir os laços esfiapados da memória coletiva. Submerge nos arcanos da tradição e de lá retorna iluminado. E, com a mestria de um arqueiro, o Arconte Pimentel lança o arco da aliança do passado cultural às gerações futuras.
(Publicado em O Correio , edição “Aposentadoria, em 15 de setembro de 2002, na qual o Poeta-Arconte Luís Antônio Pimentel figurou na capa do jornal, com sua máquina Nikon e seu sorriso, sempre jovem e brejeiro, clicando certamente uma cena cultural de Niterói.)
Divulgação Cultural
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«Contra o fechamento da Livraria Camões»:
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