“Ser anfitrião das belas letras.”
Com esta legenda, o presente Blog pretende abrir espaço para os talentos da literatura (com ênfase na fluminense). Tal sítio é reservado ao fomento e divulgação da boa poesia, da crônica, do conto, da crítica e, também, da vivência em meio às Instituições acadêmico-literárias. Preservar a memória dessa literatura, promover o trabalho de autores cujas obras já se encontram consolidadas e apoiar as promessas que ingressam na senda literária é o nosso papel.
Gianni Vattimo (Turim, 4 de janeiro de 1936) é um filósofo e político italiano, um dos expoentes do pós-modernismo europeu.
Discípulo de Luigi Pareyson, graduou-se em Filosofia, na cidade de Turim, em 1959. Especializou-se em Heidelberg, Alemanha, com Karl Löwith e Hans-Georg Gadamer, cujo pensamento introduziu na Itália. Em 1964, tornou-se professor de Estética na Universidade de Turim e, a partir de 1982, de Filosofia Teorética. Ensinou, na condição de professor visitante, em vários universidades dos Estados Unidos.
Nos anos 1950, trabalhou em programas culturais da RAI. É diretor da Rivista di estetica, membro de comissões científicas de vários periódicos italianos e estrangeiros e sócio-correspondente da Academia de Ciência de Turim.
Se ainda válida a metáfora de Burckhardt, então que tenhamos as letras de ARS como nossas cicerores. Não por Florença, Nápoles ou Roma (como um dia nos teria guiado o suíço), mas pela Maraquesh do anão...
Retrato de cortesão Sebastián de Morra de Diego Velasquez (1645);
Em Marraquesh há um anão que ensandece as mulheres. Elas vão ao banho (dizem aos maridos) fazer limpeza de pele mas algo a mais ali sucede basta ver como depois além do corpo a alma lhes vai leve. O segredo deste anão está guardado na palma da mão e com seus dedos sabe sublimar as mulheres. Elas vêm, e ele com silencioso gesto pede que se dispam, se despem. Se ele dissesse, voem voariam, se dissesse dancem, dançariam se dissesse, amem-me o seu mínimo corpo amariam. Mas pede apenas que larguem suas vestes e se deitem à espera que suas pequenas mãos se agigantem e abram portas, janelas, desvãos, abismos na vertigem da viagem dentro da própria pele. Quando se despem despedem-se dos maridos e já não mais carecem de amantes é como se Penélope convertida em Ulisses nas mãos do anão a Odisséia sentissem. Ninguém sabe exatamente o que seus dedos operam. Começa pelos pés e algo vem subindo devagar ao leve toque que não toca, que roçam nas mas que não fere, que solicita e impera e vai em círculos como se o bem e o mal se transcendessem numa espiral de delícias. Os maridos e parceiros ficam no hall do hotel bebendo uísque, nas quadras jogando tênis e nunca saberão o que ocorreu ao leve toque daquelas pequenas potentes, suaves mãos. Finda a massagem (nome conveniente à transfigurante viagem) as mulheres reaparecem translúcidas caminhando a um centímetro do chão irrompem inalcançáveis como se tivessem tido uma visão. Aos maridos não adianta qualquer explicação. Há na pele da alma delas algo de que jamais se esquecem: o irrepetível toque dos dedos e das mãos do anão de Marrakesh.
Divulgação Cultural
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Ando com a alma triste e, no semblante, um sorriso enganador. Eu, que sempre frisei que a mentira era o maior dos males! Mas não a convidei, ela se instalou simplesmente e parece não ter data de partida. Terá encontrado seu habitat em mim?
O tempo pintado em gris acentua essa sensação de perda. É como se, a cada momento, minha energia se esvaísse através de meus poros. Quisera ver arco-íris, mas por onde andam? Perco-me nos labirintos de meus pensamentos quando rememoro aquilo que, de tão distante, parece que nunca existiu.
Já fui feliz, sim. Senti o aroma das flores e me inebriei. Dormi pacificada com o bater das ondas nas pedras, o cheiro de maresia. Já dancei parecendo deslizar nas nuvens. Beijei e fui ao paraíso.
Por que minha alma de repente ficou triste e me transmutei em falsidade, mantendo um sorriso enganador?
Resta-me um desejo: a visão do arco-íris, primeira referência de assombro, beleza e êxtase em minha vida.
Reflito sobre a existência do eu. Terei, de fato, existido? Talvez tenha sido um simulacro. O que é a vida, senão uma frenética busca? Se um dia percebemos a fuga ou o estranhamento em relação ao nosso eu, é porque nunca existiu ou não nos foi fiel.
Sabe-se que a casa de Cândido Portinari vivia cheia. Eram os amigos e os amigos dos amigos que entravam e saíam numa espécie de frenesi. Tal entusiasmo comprazia ao próprio pintor que tinha sempre em sua volta nomes como o de Carlos Drummond de Andrade, Heitor Villa Lobos e Manuel Bandeira. Conta-se que, certa vez, após um almoço, um semi-desconhecido levantou-se da mesa, pediu a palavra, e fez um discurso pirotécnico em honra de Portinari; após, abalou pela porta se lançando no interior do primeiro taxi que passava.
Recobrados do repente, um dos convidados perguntou a Cândido Portinari o que ele teria achado daquela fala; Portinari, com a simplicidade e graça de um camponês de Brodowski, disse: “ – Pois é... pintor pinta, literato brilha.”
A anedota, de um lado, joga luz sobre a face humilde e humana do pintor; por outro, oculta ainda mais um traço quase desconhecido do artista. Qual seja? O fato de Portinari também ser literato.
Sim! Poucos sabem disso, mas o autor de obras primas como Menina sentada, Flautista e Sapateiro de Brodowski também era poeta publicado.
Portinari sempre escreveu e, de vez em quando, submetia seus “escritos” a colegas como Manoel Bandeira e Antônio Callado. Sem nenhum favor a Portinari, ambos escrevem aparatos críticos para um livro intitulado Poemas; ambos elogiaram aqueles versos como possuidores de qualidades estéticas apreciáveis. Portinari, por sua vez, não se valeu de sua reputação de artista plástico para promover sua poesia, muito pelo contrário, preferiu fazer um livro sem ilustrações, não dando vez à autoridade de sua pintura (como conta Callado); o valor daquela poesia ainda é reforçado por Bandeira, quando avalia: “Ainda que Portinari não tivesse sido o grande pintor que foi, toda esta poesia seria válida pelo que ela encerra de aguda e generosa sensibilidade, de registro fiel da vida brasileira no interior.”(p.23)
Em conversa, João Cândido Portinari (à frente do Projeto Portinari) revelou-me que pretende publicar em 2012 – por ocasião do cinquentenário de morte de Cândido Portinari – uma segunda edição de Poemas. Enquanto a edição comemorativa do livro não sai, conheçamos um pouco do Portinari poeta:
PORTINARI, Cândido. Espantalho. 1940.
Óleo sobre tela, 73 x 60 cm. Rio de Janeiro, RJ.
“Sem cílios e sem destino
No ar sem proteção
Espantalho de beira-córrego, os pássaros
Pequenos não se intimidam... Passam.
Aos grandes arrozais. Invisível quase
Flutuando no espaço
Vagando ao léu. Esfiapando e desfeito
Um trapo cuspido
No lodo. Enxugando a lama, será no
Clarear da aurora?
Se tivesse ainda meu canivetinho
De cabo de madrepérola me
Recordaria de tudo daquele tempo.
Veio de presente numa caixa de vinho.
Do Porto. Não dão mais. Era
Um pouco de felicidade embrulhada
Entre garrafas.
Depois tive muitos canivetes
De verdade: apenas cortavam...
O meu vivia: gostava de admirá-lo
Conversávamos durante horas e horas
Onde estará? Transformara-se?
Seria a estrela aqui perto do
Mar? Ou o foguete que foi à lua?
Meu canivetinho, meu canivetinho...”
(PORTINARI, Cândido. Aparições.
In: Poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964. p.66).
PORTINARI, Cândido. Menina sentada. 1943.
Óleo sobre tela, 74c x 60 cm. Rio de Janeiro, RJ.
PORTINARI, Cândido. Colona sentada. 1935.
Têmpera sobre tela, 97 x 130cm. Rio de Janeiro, RJ.
PORTINARI, Cândido. Flautista. 1934.
Óleo sobre madeira, 46 x 37.5cm. Rio de Janeiro, RJ
Pronunciamento proferido por Wanderlino Teixeira Leite Netto na XV Bienal do Livro do Rio de Janeiro e na Livraria Icaraí nos dias 10 e 29 de setembro de 2011, respectivamente:
Congratulo-me com a Editora da Universidade Federal Fluminense (EdUFF) pelo lançamento de Miguel Coelho – desenhos e agradeço pelo convite que me foi feito para saudá-lo in memoriam.
Pouco se fala em Carlos Couto. Não são muitos os que se recordam de Manuel Fonseca e de Almiro Baraúna. Ouvem-se mirradas referências a Roberto Paragó, Aloísio Vale... mesmo a respeito dos Campofiorito (Quirino e Ilda), quase não se fala. Alaôr Scisínio, Lyad de Almeida, Jacy Pacheco, Angelo Longo, raramente são mencionados. Vale lembrar que Lyad foi o primeiro presidente do Instituto Niteroiense de Desenvolvimento Cultural, precursor da Fundação de Arte de Niterói, à qual se vincula a editora Niterói Livros; que Angelo Longo criou e manteve por muitos anos a Editora Cromos, de tantos serviços prestados ao editorialismo niteroiense.
Na arte cênica, na fotografia, nas artes plásticas, na literatura, fui buscar alguns exemplos de nomes que talvez não estejam sendo reverenciados conforme fizeram por merecer. Efusivos aplausos, portanto, à iniciativa da Editora da UFF de publicar postumamente desenhos de Miguel Coelho.
Miguel Coelho nasceu no dia 29 de setembro de 1934 na pequena Matipó, Zona da Mata de Minas Gerais, e teve infância de menino de roça, vivida na fazenda do avô, o temido Cel. Abelha. Após uma passagem por Campos dos Goitacases, acabou cooptado por Niterói, que o adotou como um de seus filhos mais diletos e onde faleceu em 9 de março de 2007.
Sua vocação para o desenho e para a pintura veio com a leitura das revistas Tico-tico e Globo juvenil. Começou sua atividade artística esculpindo pequenas estatuetas de índios, que vendia para turistas.
Miguel frequentou a Escola Nacional de Belas Artes, na cidade do Rio de Janeiro, na qual muitas vezes questionou o rigor acadêmico. Nesta época, aproximou-se de Candido Portinari.
Marxista, militou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro e participou ativamente de campanhas de cunho nacionalista.
Em 1969, surgiu em Niterói o “Movimento Poesia-Cartaz”. Poemas de Afonso Estebanez, Carlos Couto, Cesar Araújo, Fernando Gonçalves, Francisco Maciel, Gastão Neves, Oriovaldo Rangel, Pedro Paulo Gavazzoni, Silésio Nascimento e Miguel Coelho foram ilustrados pelo próprio Miguel, Guima, Israel Pedrosa, Levy Menezes, Nilton Rezende e Paulo Pimentel, sendo expostos em Niterói, na cidade do Rio de Janeiro e em Teresópolis. O “Poesia-Cartaz” deu origem ao “Grupo Salina”, que chegou a publicar uma antologia poética, mas teve vida curta e tormentosa. Na época, havia o “Grupo Colina – Comando de Libertação Nacional”, com outros objetivos, evidentemente. Naquele tempo, porém, uma simples coincidência sonora bastava. Em consequência, os integrantes do “Salina” acreditaram ser prudente desativá-lo.
A generosidade foi um traço marcante da personalidade de Miguel Coelho. Foram inúmeros os escritores seus conhecidos que tiveram livros por ele ilustrados. A nenhum deles o nosso homenageado exigiu pagamento por conta do seu trabalho. Costumava dizer que para amigo não botava preço.
Além disso, gostava de homenagear amigos diletos, inserindo suas figuras em alguns quadros. Por exemplo, em “Bois pintadinhos”, óleo sobre tela, lá estão Alaôr Scisínio e Luís Pimentel como integrantes de uma bandinha de interior. Um a tocar sanfona, outro a soprar um trombone de vara. Já em “Jazz”, também óleo sobre tela, Alaôr toca clarinete; Pimentel, banjo.
Miguel Coelho foi também exímio no bico de pena, por meio do qual reproduziu fortes, igrejas e fazendas, num trabalho de preservação de nossa memória patrimonial.
Nosso homenageado participou de inúmeras exposições, individuais e coletivas, e de salões de arte em vários municípios brasileiros e também na Alemanha, onde expôs individualmente em 11 cidades. Sua temática principal foi a brasilidade, por meio de relações dialéticas entre o rural e o urbano, o tradicional e o contemporâneo, o sagrado e o profano. Mas Miguel não se restringiu a esse tema. Em “Suíte Cinza”, por exemplo, despontam pinturas geométricas em total liberdade criativa. Valendo-se da pedra-sabão, também esculpiu. Quase sempre eram figuras de traços exagerados, volumosas.
Talvez alguns não saibam, mas Miguel Coelho transitou pela literatura, pela música, pela atividade jornalística, nesta última como colunista de jornais e revistas. Teve uma de suas poesias premiadas no “Concurso Nacional de Poesia Falada”, realizado por Gastão Neves na década de 1960. Foi vencedor do “Concurso de Contos LIG/Pasárgada”, em 1977, e do “Concurso Literário Stanislaw Ponte Preta”, promovido pela Rio-Arte em 1995. No papel de compositor, ganhou medalha de ouro no “II Festival Fluminense da Canção Popular”, em 1968. No ano de 1970, dupla premiação: vencedor do “IV Festival Fluminense da Canção Popular” e finalista do “V Festival Internacional da Canção”, promovido pela Rede Globo de Televisão. Em 1972, foi autor do melhor samba-enredo do carnaval de Niterói. Portanto este artista plural merece mesmo nossa consagração.
Quando Miguel Coelho transferiu seu ateliê para o bojo de uma nuvem, percebi matizes de suas tintas no pôr do sol, disse acreditar que sairia de seus pincéis o próximo arco-íris, afirmei que haveríamos de sentir sua presença nas auroras e nos crepúsculos, no azul do céu e no cintilar das estrelas. E assim tem sido. Pelo menos para mim, que acredito na perenidade das artes e tenho por hábito adubar saudades para fazê-las florir.
Nessa quinta-feira, dia 06/10 - após a quarta, dia 05/10 - que o Literatura-Vivência seja todo comunhão, nas palavras de Carlos Rosa Moreira e na canção de Beth Rowley:
Mergulhei nas minhas velhas águas, cristalinas como soem ser as águas no inverno. Ultrapassei as pedras expostas pela maré baixa e dei as primeiras braçadas quando meus pés já não tocavam o fundo.
Refazia parte de um percurso que foi o meu exercício favorito durante a juventude. Nadava de Icaraí a Flechas, corria toda a praia, mergulhava nas Velhas e nadava até a Ilha da Boa Viagem; corria de novo e circundava a ilha nadando, escalando e caminhando. Depois fazia tudo igual na volta.
Saí nadando ao lado do “Torreão” e fui até as “Duas Irmãs”, dali escalei e subi ao fortim, depois peguei a velha trilha que circunda a Boa Viagem. Minha intenção era continuar o exercício, dar mais umas braçadas e correr na praia, mas aí ouvi uns gorjeios e parei no meio da mata. Era uma cambaxirra. Fazia tempo que não ouvia uma cambaxirra. Ou, talvez, fizesse tempo que eu não percebia que já não ouvia cambaxirras. Abaixei-me e fiquei quietinho, buscando o pequenino no meio das galhadas. Cambaxirras são mais fáceis de ouvir do que de ver, mas vi o bichinho saltitar por entre os ramos de uma aroeira: saltita e gorjeia, gorjeia e saltita.
Estava eu a ver e ouvir cambaxirra, quando o tempo mudou. O céu cinzento já ameaçava, aí o vento rondou e deu uma varrida no mar. Caíram os primeiros pingos, grossos e espaçados, como se fossem os batedores do imenso exército que avançava. E a chuvada veio. Toró que lavou o sal do meu corpo e retirou da mata a poeira urbana. Quando cessou, deixou as folhas com um verde brilhante e o ar todo perfumado com aquele cheiro bom de terra.
De cócoras deixei-me ficar no meio da trilha da Boa Viagem. Depois da chuva e da ventania restou uma brisa suave vinda do sul. Eu estava cercado pelo perfume da terra e da mata e pelo aroma de oceano que a brisa trazia. Um sabiá-laranjeira pousou num galho acima da minha cabeça, cantou como se fosse o último dia de sua vida e depois embarafustou-se por entre as ramas da aroeira onde ainda gorjeava a cambaxirra. Atobás pairavam bem alto, um bem-te-vi clamava da terra, e eu respirei fundo aquele ar à minha volta. Bem quieto, não queria que a natureza soubesse de mim. Pode-se ver e ouvir muita coisa quando se está integrado à natureza. Certa vez, numa ilha deserta, vi um papagaio. Talvez seja uma visão banal, mas papagaios em ilhas me encantam desde que li a “Ilha do Tesouro”. Nunca vi macaco em ilha, mas já vi cabras, cujos avós foram abandonados por algum navio num passado distante. E, naquele momento, bem ao meu lado, junto à trilha, eu via uma pitangueira. Sofrida, raquítica, batida incessantemente pelos ventos marinhos, mas, pitangueira. Remanescente dos tempos em que por aqui reinavam tupinambás e maracajás. Um pouco mais à frente, eu sabia, havia a ingazeira. Muitas vezes provei a polpa adocicada dos seus frutos. Não sei se isso é emoção que se apresente, mas toda vez que encontro um pé de fruta selvagem fico fascinado. E aquelas são nossas frutas, frutas da nossa terra que também fascinaram o peró e o mair que vieram de longe para brigar por essas praias.
Estava eu naquele êxtase, vendo belezas e ouvindo melodias, percebendo sabores e sentindo perfumes. Então foi chegando uma tranquilidade e fui tomado por uma grande vontade de ficar ali. E pensei que talvez não fosse mau morrer assim, espojado sobre a terra. Morrer como um bicho qualquer que se vai deste mundo porque tem de ir, tendo a companhia de uma bromélia, os olhares coloridos das orquídeas, acalentado pelos trinados dos pássaros e envolto pela brisa do mar. Só deitar e morrer, deixar o corpo na terra para rebrotar e, algum dia, de algum modo, ser de novo coisa viva. Talvez uma árvore que ofereça um perfume selvagem ou um singelo fruto sápido. Um modesto vegetal que, se não tiver nada a oferecer, cubra o caminho com a simplicidade de uma sombra fresca em meio ao silêncio da mata. Esse silêncio sussurrado das plantas que às vezes embala estranhos sonhos.